RUBI MONTENEGRO
A primeira noite na Unidade de Terapia Intensiva foi um inferno na Terra. O som rítmico e constante dos aparelhos que mantinham Ares vivo era a única coisa que bloqueavam o silêncio do quarto frio e branco.
Sentada em uma poltrona desconfortável, eu me recusava a soltar a mão dele. Ares estava pálido, com o peito subindo e descendo de forma mecânica com a ajuda dos respiradores. Vê-lo assim, tão vulnerável e imóvel, fazia meu coração doer fisicamente a cada segundo. Eu não fechei os olhos. Não comi, não bebi água, não me movi. Apenas fiquei ali, segurando a sua mão fria contra o meu rosto, rezando silenciosamente para que ele voltasse para mim.
Quando a luz fraca da manhã finalmente atravessou as persianas do quarto, a porta se abriu devagar. Ergui os olhos, esperando ver o médico com atualizações, mas me surpreendi ao encontrar um homem que se apresentou como Thomas, e disse ser o assistente pessoal de Ares na matriz da Beckett industries.
Ele parecia exausto, com as roupas amassadas e segurando um tablet contra o peito.
— Me perdoe a interrupção em um momento como este — ele sussurrou. — Mas eu precisava vir pessoalmente.
— O que foi, Thomas?
— A notícia do ataque e do coma do senhor Beckett vazou para a imprensa. As ações da Beckett Industries estão despencando ladeira abaixo desde a abertura da bolsa de valores.
Fechei os olhos por um segundo. Era óbvio que isso aconteceria.
— E tem mais — Thomas continuou, parecendo ainda mais nervoso. — O conselho de diretores convocou uma votação de emergência para as duas da tarde de hoje. Eles querem afastar o senhor Beckett temporariamente por incapacidade médica e colocar um dos membros mais antigos do conselho como CEO interino. Estão usando a tragédia para tentar tomar o controle da empresa.
Aqueles homens velhos estavam se comportando como abutres. Eles estavam sobrevoando o meu marido ferido, prontos para despedaçar a empresa.
Olhei para o rosto pálido de Ares. Lembrei do sorriso dele na varanda da nossa suíte nos Hamptons. Lembrei das palavras que ele me disse sob as estrelas quando propôs que eu assumisse um setor inteiro.
"Juntos, nós seremos imbatíveis."
O motorista me levou até a mansão em tempo recorde.
Entrei na casa e fui direto para o banheiro da suíte principal. Liguei o chuveiro no máximo. A água quente escorreu pelo meu corpo, lavando o sangue seco, o cheiro de hospital e qualquer vestígio de fraqueza que ainda restasse em mim.
Saí do banho e caminhei até o closet. Ignorei os vestidos leves e coloridos que eu costumava usar. Meus olhos foram direto para um terno feminino de alfaiataria. Vesti uma camisa de seda branca por baixo e deixei os dois primeiros botões abertos.
Calcei um par de scarpins de salto agulha e sola vermelha. Prendi os meus cabelos escuros em um coque baixo e apertado, sem deixar um único fio fora do lugar.
Por fim, abri a gaveta do cofre e peguei a pasta com os documentos que me garantiam mais de cinquenta por cento das ações da Beckett Industries, somando as minhas e do meu marido.
Peguei a minha bolsa e caminhei até a porta. Estava na hora de lembrar àqueles abutres engravatados que eu sou a senhora Beckett.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!