ARES BECKETT
A manhã em Nova York estava cinzenta, condizendo perfeitamente com o meu humor enquanto me afastava da mansão. Rubi ainda estava envolta nos lençóis, com os cabelos espalhados pelo travesseiro, dormindo o sono profundo digno para se recuperar da noite anterior. Eu a beijei na testa antes de sair, sentindo um aperto no peito por esconder aquele pequeno trajeto. Algumas feridas precisam ser cauterizadas para que não voltem a sangrar.
Observei a cidade passar pela janela do carro, lembrando-me do homem que eu era há apenas um ano. Um homem que colecionava amantes descartáveis, que via o casamento como um incômodo necessário e que não tinha nada a perder porque não amava nada de verdade. Rubi me deu um propósito.
Fui conduzido pelos corredores e entrei na sala de visitas privativa.
Diana foi trazida minutos depois. O uniforme bege era grosseiro, apagando qualquer vestígio da sofisticação que ela um dia ostentou com o meu dinheiro. Assim que se sentou à minha frente, ela inclinou o corpo, tentando forçar uma intimidade que não existia.
— Ares... eu sabia que você não resistiria. Sabia que viria me ver assim que a poeira baixasse. O que foi? O encanto daquela "gorda" sem sal finalmente acabou, né?
— Não se atreva a abrir essa boca imunda para falar da minha esposa. Você não é digna de respirar o mesmo ar que ela, quanto mais de pronunciar o nome dela.
— Ah, por favor, Ares! — Ela revirou os olhos, batendo as unhas curtas na mesa de metal. — Nós sabemos como você funciona. Aquela garota é apenas um projeto seu. Um brinquedo que você decidiu usar. Quando você se cansar de brincar de marido fiel, vai se lembrar do fogo que nós tínhamos.
— O que nós tínhamos não era fogo, Diana. Para isso precisa existir paixão. — rebati, inclinando-me para frente. — Eu nunca tive paixão por você. Eu não vim aqui para relembrar nada. Vim aqui porque a sua sentença saiu: sete anos.
Diana empalideceu por um segundo, mas logo recuperou o deboche.
— Sete anos? É apenas um tempo para eu me planejar. Eu vou sair daqui, Ares. E vou fazer você voltar para mim.
— Considere isso o seu único e último aviso. Sete anos podem passar rápido se você ficar no seu buraco e se comportar. Mas eles podem se tornar uma eternidade se você sequer pensar em cruzar o caminho da minha família.
— Que família?
— A que vou construir com minha esposa, oras.
Ela tentou dizer algo, mas eu levantei a mão, calando-a.
— Se no dia em que você cruzar aqueles portões, você tentar qualquer contato com um Beckett... eu garanto que você voltará para cá pelo resto da sua vida.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!