RUBI MONTENEGRO
Alguns dias se passaram desde a minha vitória contra Ares, e eu estava flutuando. A sensação de ver Ares sem palavras, derrotado pela própria arrogância, era melhor do que qualquer chocolate que eu já tivesse comido na vida.
Hoje era minha folga. As fotos da campanha "Renascimento" estavam finalizadas e, segundo Domênico, ficaram "divinas". Espero que estejam divinas mesmo, afinal trabalhei incansavelmente para acabarmos em tempo recorde. O evento de lançamento seria em breve, e eu precisava de sapatos. Não qualquer sapato, mas 'O sapato'.
Entrei na Vivienne’s, a boutique mais exclusiva da cidade.
— Bom dia, senhora Beckett! — A gerente veio correndo, com aquele sorriso treinado para quem tem dinheiro. — Temos uma nova coleção de saltos italianos.
Passei uma hora experimentando. Escolhi dois pares de scarpin e uma sandália de tiras finas que custava o preço de um carro popular.
Fui ao caixa, me sentindo poderosa. Abri a carteira e entreguei o cartão black que Ares me deu. O cartão que eu usei para comprar meus legumes e pagar nutricionistas, para me tornar a versão inimiga dele.
A vendedora passou o cartão. Franziu a testa. Passou de novo.
— Senhora... — Ela sussurrou, olhando para os lados para garantir que ninguém ouvisse. — Deu "não autorizado".
Meu sorriso diminuiu um pouco.
— Deve ser erro do sistema. Tente de novo.
Ela tentou. A maquininha apitou aquele som irritante de recusa.
— Sinto muito, Sra. Beckett. O cartão foi bloqueado pelo titular. Diz aqui: "cartão cancelado por perda ou roubo".
Senti meu rosto esquentar. Ares. Aquele maldito infantil. Ele não podia me impedir de trabalhar, então decidiu cortar minha fonte de renda. Ele queria me humilhar. Queria que eu saísse da loja de mãos vazias e cabeça baixa.
A vendedora me olhou com pena. Aquele olhar de "pobre menina rica que o marido cortou as asas".
— Quer que eu separe as peças para a senhora vir buscar outro dia? — ela perguntou, já recolhendo as caixas.
Respirei fundo. Eu não posso aceitar desaforo.
— Não precisa separar. — Sorri para a vendedora. — Só um minuto.
Peguei meu celular e disquei o número de Domênico. Ele atendeu no segundo toque.
— Minha musa! Diga-me a que devo a honra de ser lembrado por você?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!