ARES BECKETT
O uísque desceu queimando pela minha garganta, um calor satisfatório que combinava com o meu humor. Eu estava na sala de estar, com as luzes baixas, girando o copo de cristal na mão e encarando a porta de entrada.
Já passava das oito da noite. Rubi não tinha para onde ir. Ela podia espernear, gritar e tentar brincar de modelo, mas no final do dia, ela sabia quem mandava. O contrato que fiz com o pai dela era a coleira perfeita.
Ouvi o barulho da chave na fechadura. Sorri. Aí está ela. Provavelmente viria com os olhos inchados de chorar, pronta para pedir desculpas e implorar para que eu não destruísse a pouca reputação que a família dela ainda tinha.
A porta se abriu e Rubi entrou.
Mas não havia lágrimas, nem ombros caídos.
Ela entrou e o rosto dela exibia uma expressão que eu não consegui decifrar de imediato. Era... divertimento?
— Boa noite, marido — ela disse, jogando a bolsa no sofá com descaso. — Esperando por mim?
— Sempre, querida. — Levantei-me, caminhando até ela com a confiança de quem tem todas as cartas na manga. — Veio me dizer que desistiu daquela ideia ridícula de trabalhar para o Bane? Ou veio pedir para eu não processar seus pais?
Rubi soltou uma risada curta e balançou a cabeça, como se eu tivesse contado uma piada.
— Na verdade, vim te entregar um presente. — Ela tirou papéis da bolsa e jogou no meu peito.
Peguei o documento. Era uma cópia do contrato de casamento e do acordo de dívidas que fiz com os pais dela.
— O que é isso? — perguntei, franzindo a testa. — Eu conheço esse contrato. Eu o escrevi.
— Então você deve ter esquecido de revisar a gramática, Ares. Leia a cláusula 15 de novo. Com atenção.
Revirei os olhos. Que perda de tempo.
— "Ares Beckett detém exclusividade sobre a exploração de imagem de qualquer portador do sobrenome Montenegro..." — li em voz alta, parando para olhá-la com escárnio. — E então? Você é filha deles. Entendeu que é uma Montenegro e me deve obediência não é? Fim de papo.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!