RUBI MONTENEGRO
O dia do Baile de Gala da Fundação Solar chegou. Desde a nossa "conversa" na sala de jantar, Ares e eu trocamos apenas o mínimo necessário de palavras quando precisei perguntar coisas relacionadas ao evento. Ele parecia estar planejando algo, isso me deixava nervosa.
No meio da tarde, enquanto eu tentava relaxar lendo um livro, Mary bateu à porta do meu quarto.
— Menina Rubi? Chegou uma entrega do Sr. Ares para a senhora.
Ela entrou empurrando um carrinho com uma caixa enorme, branca, amarrada com uma fita de cetim dourada. Havia também uma caixa menor, de veludo preto, sobre ela.
— Obrigada, Mary.
Assim que ela saiu, me aproximei da caixa como se ela contivesse uma bomba. E, de certa forma, continha.
Abri a caixa maior primeiro. Afastei as camadas de papel de seda e puxei o tecido.
Meu queixo caiu. Não de admiração, mas de horror.
Era um vestido bege. Um tom de "areia molhada" deprimente. O tecido era pesado, caro, sem dúvida, mas o corte... era uma ofensa. Mangas longas, gola alta que cobria o pescoço, e uma saia rodada e armada que esconderia qualquer curva que eu tivesse. Parecia uma mortalha de alta costura feita para uma matrona de oitenta anos.
Peguei o cartão que estava junto. A letra de Ares era angulosa e forte.
"Use isso. A Sra. Beckett deve ser elegante e discreta. O carro sai às 20h. Não se atrase."
Dei uma risadinha de descrença e joguei o cartão na cama.
— Discreta... — murmurei, sentindo a raiva subir.
Ele achava que, ao me vestir com aquele saco de batatas de luxo, eu voltaria a ser a esposa apagada de antes?
Abri a caixa de veludo. O brilho quase me cegou. Era um conjunto de colar e brincos de diamantes. As pedras eram enormes. Eram lindas, admito. Um suborno brilhante.
Olhei para o vestido bege e depois para os diamantes.
— Muito bem, Ares. Eu vou usar os diamantes. Considere-os minha taxa de pagamento por aturar você esta noite. Mas esse vestido? — Peguei a peça e a joguei no fundo do closet, onde ela jamais veria a luz do dia.
Peguei meu celular e disquei o número que se tornou meu bote salva-vidas.
— Domênico?
— Rubi? Aconteceu alguma coisa?
— Preciso de um favor. Mande aquele vestido preto da coleção "Renascimento". O modelo "Viúva Negra".
— Estará aí em trinta minutos.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!