RUBI MONTENEGRO
O sono me puxou para baixo com força, me arrastando para um pesadelo vívido e sufocante.
No sonho, eu estava de volta à casa dos meus pais. Minha mãe, Leonora, estava na minha frente, com aquele sorriso plástico e os olhos frios, apontando o dedo com unhas vermelhas para a minha barriga.
"—Você é uma vergonha para esta família, Rubi. Uma baleia. Olhe para a sua irmã. Por que você não pode ser como a Camila?"
A voz da minha irmã veio em seguida, uma risada estridente e cruel, zombando das minhas roupas largas que tentavam esconder meu corpo adolescente.
Eu tentava correr, tentava tapar os ouvidos, mas o chão parecia feito de lama. Então, a figura gigantesca do meu pai apareceu. O rosto dele estava vermelho de fúria. Ele levantou a mão. O impacto no meu rosto queimou.
"— Vendi você porque era a única coisa que você servia para fazer! Você não é nada!"
"— Não... para... por favor..."
"— Se não tem mais utilidade, você deveria morrer e parar de ser uma vergonha!" A mão do meu pai afundou minha cabeça na lama enquanto tentava me matar.
Acordei em um sobressalto violento, puxando o ar com desespero como se estivesse me afogando. Me sentei na cama, tremendo incontrolavelmente, o suor frio grudava a blusa do meu pijama na pele. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, e os soluços começaram a rasgar a minha garganta antes que eu pudesse impedi-los.
Ares, que tinha o sono incrivelmente leve, se sentou num piscar de olhos.
Eu esperei a bronca. Esperei que ele me chamasse de louca, que reclamasse do barulho e mandasse eu calar a boca e voltar a dormir. Encolhi-me abraçando meus próprios joelhos, tentando sufocar o choro contra o tecido do pijama.
Mãos grandes e quentes seguraram meus ombros. Com um movimento surpreendentemente gentil, Ares me puxou, me tirando do meu canto de isolamento e me trouxe para o centro da cama.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!