RUBI MONTENEGRO
Assim que Ares saiu, senti meus ombros finalmente relaxarem. Estar na mesma casa que aquele homem já era difícil, dividir a mesma cama e tomar café da manhã sob o olhar avaliador dele era uma verdadeira prova de resistência mental. Eu sentia que estava caminhando em um campo minado todos os dias.
Olhei para a porta da cozinha e chamei em voz alta:
— Mary? Ares já foi. Pode vir aqui?
Mary apareceu quase imediatamente. Ela não precisou de nenhum outro convite. Como já era o nosso costume todas as vezes que Ares não estava em casa para ditar as suas regras ridículas, Mary puxou a cadeira à minha direita e se sentou. Despejei uma xícara de café fresco para ela e empurrei o prato de pães na sua direção.
— Então... — comecei, pegando mais um pedaço da minha torrada com geleia de morango. — Você notou que o Ares também está... estranho ultimamente?
Mary pegou a xícara, tomou um gole de café quente e assentiu, com uma expressão pensativa.
— É verdade, menina Rubi. Hoje, principalmente. Eu juro que o vi rir duas vezes antes de sair para o trabalho. E não foi aquele sorriso maldoso de sempre. Foi uma risada quase normal.
— Exatamente! — concordei, gesticulando com a torrada no ar. — Eu nunca tinha visto ele rir sem um motivo obscuro por trás. Será que ele tomou o remédio errado hoje de manhã?
Mary deu uma risada gostosa e genuína.
— Olha, seja lá o que for que deu nele, não deve demorar muito para ele voltar a ser o que sempre foi. Afinal de contas, ninguém consegue fingir por muito tempo, não é mesmo? A verdadeira natureza sempre aparece.
— Tem razão. — Suspirei, concordando enquanto terminava de mastigar. — Como hoje eu não tenho trabalho, acho que vou dar uma volta no jardim. Ver o que eu arranjo para passar o tempo nesta casa gigantesca.
Mary me olhou com aquele olhar maternal que geralmente vinha acompanhado de algum sermão.
— Sabe, menina Rubi, por que você não tenta fazer algumas amigas? Não é saudável para uma jovem viver apenas trancada entre essa casa e o trabalho.
Sorri para ela e segurei sua mão carinhosamente sobre a mesa.
— Não preciso de mais ninguém, Mary. Eu já tenho você como a minha melhor amiga.
Os olhos dela brilharam com carinho, mas ela balançou a cabeça em desaprovação.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!