RUBI MONTENEGRO
— Eu sei que mereço ouvir isso — falei, com a voz embargada, sentindo um nó doloroso se formar na minha garganta. — Fui uma grande idiota.
— Foi mesmo — Valentina respondeu do outro lado da linha, sem a menor pena.
— Mas eu sinto muito, Tina. Sinto muito de verdade. A Camila me manipulou de um jeito horrível. Ela e os meus pais passavam os dias me fazendo acreditar que eu não tinha nenhum valor, que ninguém jamais gostaria de mim de verdade a menos que tivessem algum interesse. Eu acreditei nas mentiras dela sobre você porque... porque eu era insegura e estúpida.
Houve um longo silêncio do outro lado da linha. Eu só conseguia ouvir a respiração dela e o som distante de trânsito.
— Olha... — Tina suspirou profundamente. — Eu sempre soube que a sua família era um poço de toxicidade radioativa. Aquela sua irmã é praticamente uma cascavel usando salto alto. Mas doeu, sabe? Ser jogada fora daquele jeito pela minha melhor amiga.
— Eu imagino a sua dor e sinto muito. Por favor, me perdoe. Você era a única pessoa no mundo que realmente se importava comigo sem pedir nada em troca.
Valentina estalou a língua, um som familiar e impaciente que me fez sorrir em meio às lágrimas.
— Para de chorar, criatura. Vai acabar estragando a sua pele de herdeira rica. Me encontre no Café Bella daqui a meia hora. Quero que o seu pedido de desculpas venha acompanhado de um cappuccino duplo e uma fatia bem grande de bolo de chocolate.
— Como nos velhos tempos?
— Como nos velhos tempos. Como dessa vez você errou, você paga.
Meia hora depois, eu estava sentada em uma mesa discreta nos fundos do café quando Valentina passou pela porta. Ela usava o mesmo estilo despojado de sempre: calça jeans rasgada, jaqueta de couro e coturnos. Assim que os olhos dela me encontraram no fundo do salão, ela parou no meio do caminho como se tivesse visto um fantasma. O queixo dela praticamente caiu.
Ela caminhou até a mesa em passos lentos, me avaliando de cima a baixo.
— Minha nossa senhora das academias! — Ela exclamou em voz alta, chamando a atenção sentar-se de supetão. — Eu vi as fotos naquelas revistas de moda e fofoca. Mas, cara, pessoalmente você está um absurdo de linda! Se eu não gostasse tanto de homens, eu te dava um beijo na boca agora mesmo.
Dei uma risada alta e verdadeira.
— É muito bom te ver também, Tina.
Nós nos abraçamos por cima da pequena mesa redonda, e toda a mágoa do passado desapareceu naquele instante.
Mas, assim que os cafés e os doces chegaram, a brincadeira acabou. Quando ela perguntou sobre meu casamento, contei tudo. Despejei a verdade como se fosse uma avalanche. Falei sobre o contrato de casamento falso para salvar as dívidas absurdas do meu pai, contei sobre a humilhação que sofri nos primeiros meses vivendo com Ares, relatei o meu emprego na Bane Fashion e a incrível ajuda de Domênico. E, por fim, contei a chantagem de Ares para me forçar a ser uma esposa submissa.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!