RUBI MONTENEGRO
Peguei o pequeno objeto metálico. Olhei ao redor da sala de estar vazia.
Apertei o pen drive na mão e caminhei a passos largos em direção às escadas, mas em vez de ir para a suíte principal, virei no corredor e fui direto para o meu antigo quarto.
Assim que fechei a porta atrás de mim e girei a chave na fechadura, fui até a escrivaninha perto da janela e peguei meu notebook.
O que eu iria ver? Ares na cama com alguma mulher? Uma gravação dele rindo de mim com os amigos bilionários? Algo contra mim?
Nenhuma dessas coisas tinha a menor importância. Não acho que algo aqui pode me surpreender.
A tela acendeu e conectei o pen drive na entrada USB.
Uma janela se abriu na tela. Havia apenas uma pasta. E dentro da pasta, apenas um arquivo de vídeo.
Cliquei duas vezes. O vídeo começou a rodar e a tela ficou completamente preta.
Esperei. Um segundo. Cinco segundos. Dez segundos. Nada. Apenas a escuridão absoluta na tela brilhante do meu computador.
"Deve ser uma introdução dramática," murmurei para mim mesma, me inclinando para mais perto.
Verifiquei o ícone do alto-falante. O volume estava no máximo. Cheguei o rosto tão perto da tela que quase encostei o nariz no monitor, tentando ouvir se havia algum sussurro, algum barulho de fundo, qualquer coisa.
Olhei para a barra de progresso do reprodutor. O vídeo tinha exatos quatro minutos e cinquenta e oito segundos de duração.
Com o cursor do mouse, cliquei no meio da barra, avançando para a marca de dois minutos. A tela continuou preta. Avancei para os três minutos. Nada. Quatro minutos e trinta. Nada.
O vídeo terminou e retornou ao início, exibindo o botão de "play" sobre um fundo preto infinito.
Fiquei encarando a tela por um tempo que não sei calcular, piscando, incrédula. O medo de ver o meu casamento falso ser ainda mais humilhado, a paranoia com meu marido... tudo isso colidiu com a realidade mais absurda e anticlimática possível.
Era um vídeo no mudo e sem imagem.
Soltei uma lufada de ar que pareceu um riso misturado com xingamento e fechei o notebook com um estalo seco.
— É sério isso? — falei em voz alta para o quarto vazio. — Quem quer que tenha feito essa brincadeira é muito, mas muito desocupado.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!