ARES BECKETT
A expressão no rosto da minha esposa era impagável. Ela me olhava com os olhos arregalados, a boca entreaberta, parecendo estar processando a informação na velocidade de uma tartaruga manca.
— É claro que fui eu — respondi, indo para a cama sentar. — Ou você acha mesmo que caixas misteriosas e presentes suspeitos entrariam nesta mansão sem a minha permissão expressa? A minha equipe de segurança teria incinerado aquela caixa no jardim antes de chegar na entrada se não tivesse a minha aprovação pessoal.
Rubi piscou novamente, e a confusão no rosto dela pareceu dar lugar a um pensamento lógico.
— Faz sentido — ela murmurou, mais para si mesma do que para mim. — Eu não tinha parado pra pensar nisso. A casa é realmente cheia de seguranças avaliando tudo que entra e sai. É óbvio que uma caixa anônima não passaria pela porta da frente.
— Exatamente. — Sorri, satisfeito por ela reconhecer minha eficiência. Eu estava ansioso para receber a reação que eu estava esperando o dia todo. O choque, a admiração, talvez até um agradecimento relutante por eu ter colocado o poder nas mãos dela. — Então... o que você achou?
Rubi franziu a testa.
— Achei de quê? — ela perguntou, soando genuinamente perdida.
— Do meu presente, oras.
A reação que se seguiu não foi nada parecida com o que eu havia planejado. Rubi me olhou como se eu fosse um paciente que tivesse acabado de fugir de um hospício.
Sem dizer mais nenhuma palavra, ela caminhou até o lado da cama próximo de mim, jogou o pen drive no colchão com desdém e me lançou um último olhar de soslaio.
— Você é muito estranho, Ares — ela sentenciou, com voz de pena e irritação. — Muito estranho mesmo.
E com essa declaração, ela virou as costas e marchou em direção ao closet, batendo a porta de correr.
Estranho? Ela me chamou de estranho? Eu acabei de entregar a ela o Santo Graal das chantagens e ela age como se eu tivesse dado a ela um par de meias velhas e furadas?
Olhei para o pen drive jogado de qualquer jeito sobre o edredom. Aquilo não fazia o menor sentido.
Fui até a mesa de cabeceira e peguei o meu próprio notebook. Voltei para a cama e conectei o pen drive.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!