ARES BECKETT
Observei Rubi subir as escadas do avião. Ela usava um conjunto de alfaiataria e na cabeça havia um óculos de grife que com certeza devoraram o limite do cartão de crédito dela nas "comprinhas" dos últimos dias. Tenho que desbloquear a conta dela, esses gastos pessoais são minha responsabilidade como marido, se ela não quiser gastar será escolha dela.
Assim que pisou na cabine, vi seus olhos castanhos se arregalarem por uma fração de segundo. O interior do meu Gulfstream era, modéstia à parte, um palácio voador: poltronas de couro branco e um bar digno de um cassino de luxo. Ela tentou disfarçar o deslumbramento com uma tosse seca e sentou na poltrona da janela.
Sorri internamente. Ela também era terrivelmente adorável tentando fingir costume.
Fui até o bar, abri uma garrafa de champanhe, servi duas taças e estendi uma para ela.
— Para relaxar os nervos da viagem, esposa — murmurei, sentando na poltrona em sua frente.
— Não estou nervosa — ela rebateu, empinando o nariz de forma teimosa, mas deu um belo gole.
— Claro que não. Mas já que vamos passar as próximas horas presos aqui, achei que poderíamos conversar. — Inclinei para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. — Além daquelas exigências para o "homem ideal", o que mais a senhora Beckett gosta? Qual é a sua comida favorita? Que lugares quer ver em Paris além da cama da nossa suíte?
Rubi me olhou com tédio, mas, aos poucos, o champanhe fez efeito e ela cedeu um pouco. Acabamos engatando uma conversa surpreendentemente divertida. Descobri que ela odeia frutos do mar, é viciada em romances de época e tem um medo secreto e irracional de pombos.
Eu estava quase me perdendo no sorriso solto que ela deu ao contar uma história de infância, quando o avião deu um solavanco violento.
Não foi um tremorzinho de leve. O jato despencou alguns metros de uma vez só no ar, fazendo as taças de champanhe quase voarem das mesinhas e o aviso luminoso de apertar os cintos apitar escandalosamente acima das nossas cabeças.
— Ai, meu Deus! — Rubi gritou.
Rubi ignorou qualquer regra de segurança da aviação ou o próprio orgulho, e pulou da poltrona dela direto para o meu colo. Se isso não for uma mãozinha de Deus, eu não sei mais o que é. Bendita turbulência.
Ela agarrou o meu pescoço como um coala e escondeu o rosto na curva do meu ombro. As mãos dela seguraram o meu braço com força e as unhas cravaram através do tecido da minha camisa.
— Nós vamos morrer! Ares, faz alguma coisa!



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!