RUBI MONTENEGRO
Assim que o almoço terminou e Ares voltou para o escritório, não perdi nem um segundo. Peguei o pequeno pen drive e caminhei apressada até o meu antigo quarto.
Me sentei na beirada da cama, abri o meu notebook, conectei o dispositivo e cliquei na pasta que se abriu na tela.
Dessa vez, não havia pegadinha.
A tela do computador se encheu de pastas organizadas por datas, nomes e assuntos. Ares, o psicopata controlador que minha família me deu de marido, tinha mapeado absolutamente cada detalhe obscuro da vida da deles.
Comecei a abrir os arquivos, um por um.
Passei horas sentada ali, com o brilho da tela iluminando o meu rosto enquanto as lágrimas começavam a embaçar a minha visão. Eu não esperava encontrar contos de fadas, mas a realidade era muito pior do que qualquer pesadelo que eu pudesse ter inventado.
Li trocas de e-mails entre a minha irmã e amigas. Elas zombavam do meu peso, riam das minhas roupas e planejavam as humilhações que fariam apenas por diversão. Havia faturas de roupas caras que a Camila comprava e colocava no nome da empresa do meu pai, para depois fingir que eu tinha estourado os cartões de crédito e ser culpada pela mamãe.
E o meu pai... Matthew Montenegro não era apenas omisso. Li documentos bancários que provavam que ele desviava o dinheiro que deveria ser investido para pagar dívidas de jogo em cassinos clandestinos. Ele roubou para financiar o próprio vício. E quando as dívidas quase o engoliram vivo, ele não pensou duas vezes antes de me jogar nos braços de Ares em troca de um contrato de casamento de um ano que limparia o nome dele. Essas eram só coisas mais leves, naquele arquivo havia provas criminais contra cada um deles.
Em vez de me sentir poderosa com aquele pen drive em mãos, senti o meu estômago embrulhar. A vontade de vomitar era enorme. O nojo e a tristeza profunda me atingiram, quebrando qualquer restinho de esperança de que, no fundo, a minha família me amava de alguma forma torta.
Eles não me amavam. Acho até que me odiavam.
Fechei a tampa do notebook, abracei as pernas contra o peito e deixei o choro sair.
Não sei quanto tempo fiquei ali, soluçando no quarto vazio, mas Ares de repente sentou na beirada da cama e suspirou pesadamente. Nem ouvi quando ele entrou.
— Dói, não é?
Não respondi. Apenas assenti com a cabeça, incapaz de falar sem voltar a chorar.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!