ARES BECKETT
O sangue ferveu nas minhas veias tão rápido que a minha visão escureceu por um segundo.
Antes que Rubi pudesse abrir a boca ou se encolher com o ataque verbal, tomei o aparelho das mãos dela.
— Se você usar essa palavra de novo para se referir à minha mulher, Matthew, eu garanto que vou arrancar a sua língua com as minhas próprias mãos.
Do outro lado da linha, o silêncio durou apenas um segundo antes da gritaria recomeçar. Dessa vez, a voz estridente de Leonora se juntou à do marido. Eles estavam surtando. O desespero deles era uma junção perfeita de ganância e estupidez. Eles achavam que, agora que Rubi supostamente seria dona de metade do império Beckett, podiam usar a oportunidade desse vazamento para arrancar ainda mais dinheiro. Mas isso estava longe da realidade, afinal, era óbvio que a cópia vazada tinha vindo da parte deles.
— Vocês não têm escolha! — Matthew esbravejou. — Se não depositarem uma fortuna na minha conta, nós vamos a todos os programas de TV confirmar que tudo que disseram hoje é mentira e que o casamento é uma farsa!
Um sorriso sombrio se desenhou nos meus lábios. Levantei a mão livre e comecei a acariciar o rosto de Rubi com o polegar, passando segurança para ela, enquanto minha atenção assassina se voltava para a ligação.
— Minha querida e amável família Montenegro... — comecei, meu tom transbordava sarcasmo puro. — Eu lhes dei chances mais do que suficientes para ficarem bem longe da minha esposa. Vocês tinham a opção de viver tranquilamente com o dinheiro que eu já paguei. Mas, já que vocês mesmos quebraram o sigilo do contrato e rasgaram as regras, por favor, não me culpem por ser um pouquinho vingativo.
O aviso soou no exato momento em que o elevador privativo chegou à garagem subterrânea do prédio. As portas metálicas se abriram.
Coloquei a mão na base das costas de Rubi, guiando-a para fora em direção à frota de carros.
— Eu não divulguei essa informação! — Matthew gritou, finalmente percebendo o perigo real na minha voz. O tom de chantagem sumiu, dando lugar ao pavor de receber um contra ataque. — O documento sumiu das minhas coisas! Alguém roubou e vazou, não fui eu, Ares! Você não pode provar!
— Você pode até não ser culpado de divulgar a informação para a imprensa diretamente, Matthew — retruquei, caminhando em direção ao meu carro. — Mas você é o culpado por permitir que alguém do seu lado fizesse isso. Incompetência ou cumplicidade, o resultado é exatamente o mesmo para mim.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!