ARES BECKETT
Dois dias agonizantes se passaram. A medicação intravenosa estava fazendo efeito, mas a equipe médica preferiu mantê-la sedada para que o cérebro pudesse descansar e desmanchar o coágulo sem esforço.
Eu não tinha saído do hospital. A minha vida inteira se resumia àquela poltrona reclinável ao lado da cama dela. O vice-presidente da Beckett estava fazendo todo o trabalho que era meu. Por sorte, a imprensa não descobriu quem estava no carro, apenas passou uma reportagem qualquer sobre o acidente. Alguém da Bane também ligou, aparentemente Rubi deveria trabalhar hoje, contei do acidente e entenderam. Depois disso ela recebeu uma ligação do próprio Domênico, eu apenas ignorei.
Nesse momento, Valentina estava sentada do outro lado, segurando a mão de Rubi. Ela estava contando sobre o seu dia de trabalho, falando em um tom suave como se a minha esposa estivesse acordada para ouvir. Achei a atitude irritante no início, mas agora era divertido pensar que ela falava e Rubi não estava dando importância.
Duas batidas curtas na porta me tiraram do meu transe. Vasquez abriu uma pequena fresta e fez um sinal discreto com a cabeça.
Levantei imediatamente e saí para o corredor.
— Fale.
— Nós o pegamos, senhor. Ele estava tentando fugir da cidade. Meus homens o interceptaram na rodoviária. Ele está no galpão sul, amarrado e esperando o senhor.
Um sorriso ocupou meus lábios. Finalmente.
— Prepare o meu carro. — Abri a porta do quarto novamente e olhei para a amiga de Rubi. — Valentina, preciso sair para resolver um assunto. Volto em menos de uma hora. Não saia do lado dela por nada.
Ela assentiu.
— Pode deixar, Ares.
Vinte minutos depois, o meu carro parou em frente a um galpão abandonado e isolado nos arredores do Brooklyn. Quando Vasquez abriu as portas de metal, a cena que encontrei era exatamente a que eu esperava.
No centro do amplo espaço escuro, iluminado apenas por uma lâmpada pendurada no teto, havia uma cadeira de madeira. Amarrado a ela com cordas grossas, estava o homem já estava com o rosto inchado e sangrando, resultado do "convite amigável" e persuasivo que enviei.
Parei a um metro de distância dele, enfiando as mãos nos bolsos da calça.
— Sou um homem que valoriza o tempo e tenho que voltar logo para minha esposa. — Quem sabe se Valentina pode se aproveitar, enquanto Rubi dorme... — Então vamos pular a parte chata onde você chora, mente ou finge que bateu no carro da minha mulher por acidente. Quem pagou você?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!