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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 135

POV LIANNA

A rotina tinha mudado. E não de um jeito bom.

Reduzir minha carga horária no hospital foi uma decisão estratégica, não emocional... foi isso que eu repeti para mim mesma dezenas de vezes. Eu trabalhava apenas enquanto as crianças estavam na escola. Nenhum minuto a mais. Nenhuma brecha.

Eu não ia deixar meus filhos sozinhos com Zayden.

Não agora. Talvez nunca.

Quando estacionei em frente à casa que ele havia alugado em Genebra, senti aquele aperto familiar no peito. A fachada era bonita demais. Limpa demais. Impessoal demais. Uma casa montada para parecer lar, sem jamais ser.

As crianças desceram animadas do carro, discutindo sobre quem tinha mais tarefas de matemática. Selin carregava a mochila como se fosse uma pasta executiva. Selina pulava dois degraus de cada vez.

Entrei logo atrás.

Silêncio.

Olhei ao redor, instintivamente.

Nada.

Nenhum som. Nenhuma presença. Nenhuma sombra dele.

— O papai ainda não chegou — Selina comentou, com naturalidade infantil.

Assenti, tentando parecer neutra.

Por dentro, eu soltei o ar que nem percebi que estava prendendo.

— Ótimo. — respondi. — Vamos aproveitar pra adiantar a lição antes do lanche.

As crianças foram direto para a mesa da sala de jantar improvisada como área de estudos. Livros abertos, lápis espalhados, Selin já corrigindo a irmã antes mesmo dela errar.

Eu fui para o quarto.

O banho foi rápido. Prático. Quase militar. Água quente o suficiente para relaxar os músculos, mas não o bastante para baixar a guarda. Prendi o cabelo, vesti uma roupa confortável demais para ser casual, arrumada demais para ser desleixada.

Quando voltei à cozinha, o cheiro de casa começou a se formar.

Pão. Frutas. Algo quente para acompanhar.

Cortar, misturar, aquecer... minhas mãos faziam isso no automático. Cozinhar sempre tinha sido meu refúgio silencioso. Um lugar onde eu ainda tinha controle.

Ouvi o som da porta da frente. A chave girando. O trinco cedendo.

Meu corpo inteiro ficou imóvel.

Passos. Firmes. Conhecidos. Pesados demais para serem casuais.

— Boa tarde. — a voz dele veio da entrada, grave, controlada.

Não me virei de imediato.

— Boa tarde. — respondi, mantendo o tom estável.

Ele entrou na cozinha.

Senti antes de ver. O espaço mudou. Ficou menor. Mais denso.

— As crianças? — perguntou.

— Fazendo a lição. — apontei com o queixo para a sala, sem olhar diretamente para ele.

— Você saiu mais cedo hoje.

— Eu vou sair mais cedo todos os dias. — finalmente me virei. — Foi o combinado.

Ele me observou em silêncio. O olhar demorou demais, avaliando detalhes que eu não queria oferecer.

— Está funcionando pra você? — perguntou.

— Está funcionando pra eles. — corrigi.

Isso o fez sorrir de lado. Um sorriso que eu conhecia. E odiava.

— Sempre colocando os dois à frente de tudo.

— Como qualquer mãe faria.

— Nem todas. — ele respondeu, baixo.

O comentário ficou no ar como um veneno sutil.

— O lanche está quase pronto. — disse, cortando o assunto. — Se quiser, pode chamar eles.

Zayden assentiu, mas não se moveu de imediato.

— Você não me encontrou no hospital hoje. — comentou.

— Coincidência. — menti.

Ele se aproximou um pouco mais da bancada, mas manteve distância suficiente para parecer civilizado.

— Ou escolha.

Não respondi.

O silêncio se estendeu até que Selina apareceu na porta da cozinha.

— Mamãe, posso pegar o suco agora?

Sorri automaticamente.

— Pode, meu amor.

Zayden observou a cena com atenção demais.

Quando Selina saiu, ele voltou a falar:

— Esse mês vai ser diferente, Lianna. — disse, com uma calma que não tranquilizava. — Pra todos nós.

Segurei a faca com firmeza, sem deixar a mão tremer.

— Vai ser claro. — respondi. — E isso é tudo que importa.

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Vamos ver.

O forno apitou. O cheiro do lanche se espalhou. A casa parecia normal. Mas eu sabia. A calmaria era só a primeira camada. E Zayden… nunca foi homem de entrar devagar numa guerra.

***

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