POV LIANNA
Eu acordei com alguma coisa quente na minha cintura.
Quente e… grande.
Por um momento, meu cérebro não funcionou. Eu só senti o peso, a respiração no meu pescoço, e o cheiro... aquele cheiro de homem, de pele quente, de shampoo masculino que eu nunca tinha sentido no hospital porque, obviamente, aquilo não acontecia.
Não deveria acontecer. Mas aconteceu.
Abri os olhos devagar e vi o que já sabia: Adrian.
Dormindo comigo. No sofá da minha sala. No hospital.
E o pior? A mão dele estava dentro da minha blusa. Aberta. Quentinha. Na minha barriga. Praticamente abraçando minha alma.
Meu corpo esquentou inteiro só de lembrar do que aconteceu horas antes. Da forma como a boca dele me devorou. Do jeito que ele me segurou quando eu perdi o ar. Da calma dele depois. Do cuidado.
Meu peito apertou. Isso não devia acontecer. Não podia acontecer. Mas estava acontecendo.
"Bom dia…” ele murmurou, a voz rouca, perto demais da minha orelha.
Arfei.
O corpo todo reagiu como se eu tivesse levado um choque.
Ele riu baixinho, ainda abraçado em mim:
— Eu adoraria acordar assim todo dia.
— Adrian… — murmurei, a voz uma mistura de alerta e “pelo amor de Deus, não fala assim antes das 7 da manhã”.
— Tá, tá… — ele respirou fundo contra meu pescoço — …não vou te assustar antes do café.
A forma como ele disse não vou te assustar fez meu coração bater mais forte.
Me sentei rápido, o que fez Adrian gemer baixinho, claramente frustrado por perder minha proximidade.
— Preciso ir — murmurei, ajeitando a blusa.
— Eu sei — ele se sentou também, esfregando o rosto com as mãos. — Mas antes, fica aqui dois segundos.
— Não posso. — eu disse depressa. — Se alguém entrar…
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Lianna, você acabou de passar a noite inteira dormindo praticamente dentro da minha caixa torácica. Dois segundos a mais não vai me matar.
Meu rosto esquentou. Ele percebeu. Óbvio que percebeu. Homem maldito... Homem delicioso.
— Adrian, eu tô falando sério.
Ele tocou meu queixo e me obrigou a olhar pra ele.
— Eu também. — sua voz baixou. — Você tá bem?
Essa pergunta me desmontou. Porque, vindo dele, não era educado. Era real. Era… perigoso.
Respirei fundo.
— Estou. Graças a você.
O sorriso que ele deu… Santo Deus. Aquele sorriso deveria ser proibido por lei.
— Então vamos — ele se levantou, esticando o braço para mim. — Antes que Viviane apareça e tente me assediar às sete e trinta da manhã de novo.
Revirei os olhos.
— Ela não te assedia. Ela… só é insuportável.
— Insuportável é bondade da sua parte. — ele riu seco. — Ela me olha como se quisesse me comer vivo.
— Ela olha todos os homens assim.
— Não ajuda, Lianna.
Eu ri. Não devia. Mas ri.
Saímos da minha sala às 7h15.
O corredor estava vazio, graças ao céu, mas o hospital nunca fica realmente silencioso. Havia enfermeiras passando com prontuários, o cheiro de café velho no ar, o barulho distante de alguém vomitando na emergência.
E aí começou a pior parte: o mundo inteiro percebeu alguma coisa. Porque eu e Adrian… Bom… Era impossível não perceber que estávamos diferentes.
O primeiro residente que passou pela gente arregalou os olhos. A enfermeira-chefe nos olhou como quem diz “hm”. Eu fingi não ver.
Adrian sorriu, o maldito.
No elevador, ele ficou ao meu lado. Muito perto.
Quente demais. O braço dele tocava no meu, como se quisesse me lembrar ou lembrar o mundo, que tinha me segurado a noite toda.
E eu não conseguia… não conseguia parar de sentir o cheiro dele. Quando chegamos ao setor de neurologia, duas técnicas estavam conversando.
Elas pararam. Olharam pra mim. Pra ele. Pra mim de novo. Merda.
Mas o pior ainda estava por vir. Porque quando viramos o corredor… Zayden estava lá. De costas.
Assinando algo numa prancheta.
Camisa branca, terno escuro, postura arrogante como sempre. Meu coração pulou no peito.
Adrian sentiu.
Eu vi no canto do olho, o corpo dele ficou rígido, a mandíbula travou.
Eu disse baixinho:
— Não. Por favor. Não faz nada.
Ele respirou fundo... fundo demais e assentiu.
Zayden virou no exato momento em que passamos. Os olhos dele pousaram primeiro em mim. Depois no Adrian. Depois no espaço pequeno entre nós. E eu juro... juro que vi a expressão dele mudar.
O olhar escureceu. O maxilar contraiu. A postura inteira endureceu. Ele tinha percebido. E não era ciúme. Não. Era território. Território que ele achava que ainda possuía. Ele caminhou até nós, e meu estômago caiu no chão.
— Bom dia, diretora Aslan — ele disse com o veneno mais educado do planeta.
Adrian parou ao meu lado como uma muralha.
— Bom dia — respondi seca.
Zayden olhou longo demais pra mim. Depois, pra Adrian.
— Doutor Adrian — ele disse com falsa cortesia — está aproveitando bem o plantão?
— Muito — Adrian respondeu, a voz baixa, calma, perigosa. — Melhor plantão do mês, aliás.
Eu quase engasguei. Zayden estreitou os olhos.
Adrian manteve o sorriso inocente de quem não tem inocência nenhuma. O clima ficou tão pesado que eu podia cortar o ar com um bisturi.
Eu respirei fundo e disse:
— Tenho uma rodada de pacientes. Com licença.
Zayden me seguiu com o olhar, mas antes que ele pudesse dizer algo, uma enfermeira o chamou, graças aos céus e eu escapei. Ou pelo menos tentei.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!