— Caso contrário, eu não teria me arriscado a trazê-los aqui.
Afinal, Talita Gomes escolheu ficar ali porque era um lugar deserto, onde seus inimigos não a encontrariam.
Francisco Serra sorriu. — E você não tem medo de que sejamos os inimigos de que Talita Gomes falou?
Com essa pergunta, Murilo Silva vacilou.
Seu olhar para eles tornou-se imediatamente cauteloso. — Então, vocês são?
— Claro que não. — disse Francisco Serra. — Na verdade, eu deveria chamar Talita Gomes de cunhada.
Ao ouvir isso, o coração de Murilo Silva, que estava apertado, finalmente relaxou.
Mas logo, ele olhou desconfiado para Henrique Freitas e perguntou: — E você? Quem é você?
Henrique Freitas ficou sem reação.
Ele estava prestes a dizer algo quando, à distância, Estrela Rocha e Talita Gomes, já mais calmas, os chamaram.
Estrela Rocha acenou para Francisco Serra, indicando que eles deveriam se aproximar.
A expressão de Talita Gomes era a mesma de sempre.
Além dos olhos um pouco vermelhos, não havia nada de anormal, nem qualquer sinal de nervosismo ao ver estranhos.
Vendo isso, Murilo Silva presumiu que Henrique Freitas não representava uma ameaça e os conduziu para mais perto da casa.
As roupas deles estavam finas, rasgadas e sujas.
Murilo Silva os levou para trocar de roupa.
Talita Gomes levou Estrela Rocha para um quarto para cuidar do ferimento em seu joelho.
Felizmente, o corte não era profundo, apenas um arranhão superficial.
Talita Gomes desinfetou, estancou o sangue e fez um curativo.
O problema estava resolvido.
Talita Gomes pegou roupas limpas e quentes do armário para ela vestir.
— Essas suas roupas são tão finas. Não sei como você aguentou esses dias.
Talita Gomes olhou para o vestido longo que ela usava, cujo único agasalho era o casaco de Francisco Serra.
Pensando na variação de temperatura entre o dia e a noite ali, seus olhos quase se encheram de lágrimas novamente.
Estrela Rocha também pensou que não sobreviveria.

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