Francisco Serra sentia a tristeza de Estrela Rocha.
Ele também sabia que aquele não era o momento apropriado.
Mas, por alguma razão que não compreendia, seus sentimentos por Estrela Rocha haviam começado a fugir de seu controle.
Preocupado que Estrela Rocha pudesse perceber seu ímpeto, Francisco Serra não ousou se mover, apenas permitiu que ela o abraçasse.
Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, Estrela Rocha finalmente o soltou.
Seus olhos estavam muito vermelhos, e sua voz soava rouca quando falou.
— Desculpe, eu perdi o anel que você me deu.
Ao ouvir isso, o coração de Francisco Serra, antes apertado, relaxou. Ele sorriu.
— É por isso?
— Não se preocupe. Quando sairmos daqui, encontraremos uma forma de recuperá-lo.
— Tudo o que foi perdido voltará.
Dizendo isso, ele se sentou ao lado de Estrela Rocha, ajeitou as roupas para disfarçar o nervosismo e disse lentamente:
— Depois que voltarmos, não contarei a ninguém que vimos Talita Gomes.
Isso era algo que também preocupava Estrela Rocha.
Por mais próxima que fosse a relação dela com Francisco Serra, ele ainda pertencia à família Serra e era muito ligado a Yan Serra.
Estrela Rocha sabia que ele a ajudaria, mas não tinha certeza de como ele escolheria entre ela e Yan Serra.
Contudo, se ela realmente fizesse essa pergunta, demonstraria sua desconfiança.
Ela não queria, em um momento tão crucial para o desenvolvimento de seu relacionamento com Francisco Serra, criar uma fissura entre eles por causa de sua própria suspeita.
Afinal, tanto o futuro da UME quanto a derrubada de Yan Serra dependiam de Francisco Serra.
A certa distância, Henrique Freitas mantinha seus olhos fixos em Estrela Rocha desde o momento em que ela saiu.
Agora, observando os dois sentados lado a lado, em uma postura íntima, sentiu o coração ser esmagado por uma mão invisível, uma dor que o sufocava.
Uma de suas mãos agarrava o tronco de uma árvore com tanta força que ele nem percebeu os dedos se esfolarem.

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