A Talita daquela época era cheia de vida.
Mas agora, diante dele, ela parecia não ter emoção alguma.
Era exatamente como nas inúmeras vezes em que sonhou com ela ignorando a sua existência.
Mas, quando ele a encontrou, ela estava conversando normalmente com outros homens, estava até sorrindo para eles.
Um medo inexplicável, algo que não conseguia descrever, subiu pela sua garganta.
— Por que não está lutando? Não me odeia? — perguntou ele em voz baixa.
A sua voz ainda carregava um leve tremor.
Talita continuou sem dizer nada, virando o rosto para o lado.
A atitude dela era clara.
Ele podia fazer o que quisesse.
Ela não iria resistir, nem iria tomar a iniciativa.
Como uma boneca de pano da qual a alma havia sido arrancada.
Yan apertou os lábios:
— Eu não encostei na Estrela. Eu te ouvi e deixei ela em paz.
Foi então que Talita moveu lentamente o olhar para o rosto dele. Os cantos dos olhos de Yan estavam vermelhos, transbordando uma ferocidade cruel, mas ao mesmo tempo com uma certa infantilidade, como uma criança que esperava ser elogiada por um adulto.
Talita deu um sorriso de escárnio:
— E o que eu deveria fazer? Te agradecer?
Ao ouvi-la finalmente falar, uma pitada de alegria surgiu no olhar de Yan.
— Talita, eu te procurei por tanto tempo, eu achei que...
Antes que ele pudesse terminar de falar, Talita começou a tossir violentamente.
Yan imediatamente se levantou, ajudando-a a sentar-se, mas a tosse não parava. Pelo contrário, ficava cada vez mais intensa.
Um gosto de sangue metálico subiu por sua garganta.
Talita cuspiu um bocado de sangue.
Em menos de cinco minutos, dezenas de médicos da família Serra estavam reunidos do lado de fora do quarto.

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