— Sim, a sua matrícula hoje é muito importante, Delfina. Quem sabe você não faz amizades novas? — Naquele instante, no coração de Tereza, a filha vinha em primeiro lugar, à frente de qualquer outra pessoa.
— Então vamos logo para a escola ver! — Um brilho de antecipação reluzia nos olhos infantis.
Porém, quando estavam prestes a chegar, Delfina usou seu relógio de pulso inteligente e ligou para Norberto.
— Delfina! — A voz do pai soava bastante arrastada. — Já chegou na escola?
— Estamos quase, papai. Já se sente melhor? — interrogou aflita.
— O Dr. Hollanda passou aqui para me avaliar. Eu logo vou estar bom de novo, não esquente a cabeça. — Ele sorria ao responder; a afeição demonstrada pela pequena lhe trouxe profunda satisfação.
— Tá bom, mas você precisa obedecer o médico e tomar remédio na hora certinha! — recomendou, imitando uma entonação madura.
— Entendido. Eu prometo que sim. — O sorriso de Norberto apenas se aprofundou.
— Chegamos. Vou desligar! — A menina encerrou o telefonema na mesma hora.
Tereza parou o carro no estacionamento da escola. Abaixo das sombras largas dos plátanos, ambas rumaram de mãos dadas à entrada.
Professores recebiam as crianças no portão principal. Como a mãe teria de assinar documentos burocráticos, a pequena foi conduzida de antemão por uma tutora para conhecer sua nova classe.
Findos os trâmites dos registros, Tereza caminhou nos corredores até a sala designada.
Em uma área de lazer externa contígua à porta, avistou a filha acocorada perante um arbusto miúdo junto a outra garotinha. As duas cabecinhas quase se tocavam, os dedos apontavam animados enquanto tagarelavam a respeito de alguma coisa.
— Delfina, o que estão observando aí? — interpelou, picada pela curiosidade.
— Mamãe, estamos olhando formiguinhas! Agorinha a Noemi jogou um miolinho de pão e duas delas apareceram e carregaram com elas! — detalhou a filha com os dentes à mostra num longo sorriso.
Somente aí, Tereza focou seus olhos na amiguinha. Estava com a mesma farda, uma trança de princesa caprichada, o par de olhos redondos e reluzentes, além de charmosas covinhas exibidas no sorriso.
— Oi, tia. O meu nome é Noemi Guedes. — A jovem colega saudou com cortesia.
— Olá, Noemi. — Tereza se curvou para que o rosto alcançasse o patamar dela e correspondeu com um sorriso.
Quando Tereza se alinhava novamente, reparou num vulto masculino a alguns passos de distância. Estava virado de costas, pendurado numa ligação. De repente o telefone sumiu em seu bolso e o indivíduo deu meia volta.
Sob os fortes raios solares, as suas feições ganharam forma nítida e causaram estupor instantâneo em Tereza; aquela face era conhecida.
Vestia blusa de gola alta preta de textura impecável e um sobretudo da mesma cor. A postura altiva transpirava profunda tranquilidade e imponente placidez.
Conforme a distância diminuía, um estalo trouxe a identidade. Tratava-se de Tristan Guedes.
Tristan também a viu, cravando os olhos e imobilizando de imediato a postura.

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