Com o rosto ardendo em brasa, Jessica não teve alternativa a não ser se calar.
Ao presenciar a própria mãe sendo repreendida pela avó, Norberto sentiu um nó na garganta. Seus olhos vagaram até Tereza de forma inconsciente.
Ela agia como se nada tivesse acontecido, com a cabeça baixa servindo comida para a filha, numa expressão impassível.
— Avó, mãe, a Tereza havia conversado comigo antes sobre esse problema no trabalho. A ausência dela não foi de propósito. Não há culpa nisso. — Para poupar a vergonha de todos na sala, Norberto preferiu colocar panos quentes na situação.
A resposta repentina e conciliadora do filho adicionou uma camada extra de descontentamento ao rosto corado e enegrecido de Jessica.
A matriarca, por outro lado, nem sequer levantou os olhos.
Hera queria mesmo era ver Tereza sendo criticada e encurralada por todos. Com os ânimos acalmados como se nada tivesse acontecido, uma certa decepção preencheu o seu peito.
Para tentar salvar o pouco de sua dignidade, Jessica suavizou a voz e pontuou: — Muito bem, se tudo já estava acordado entre vocês, apenas preste mais atenção daqui por diante. O que importa é ter uma família harmônica; isso supera qualquer emprego. Espero que entenda, Tereza.
Tereza ergueu o rosto e murmurou em um tom monocórdio: — Eu entendo, mãe.
Terminado o jantar, Tereza e Delfina permaneceram na mansão principal. Assim que finalizou a refeição, Norberto acompanhou a filha para o andar de cima. Tereza, por sua vez, foi fazer a sessão de fisioterapia na idosa.
Com o peito a ponto de explodir de raiva, Jessica foi até Hera no momento da despedida, com a bolsa na mão: — Hera, a mãe vai dormir no seu apartamento hoje. Quero conversar sobre aquele aniversário.
Hera foi ágil e destrancou a porta do passageiro para ela: — Claro, mãe. Pode entrar.
Ao pisarem no imenso apartamento, Hera correu para acender um incenso calmante.
Observar toda aquela dedicação e carinho deixou o coração de Jessica em paz, fazendo-a adorar genuinamente a moça.
No sofá da sala, Hera serviu-lhe um chá de ginseng antes de sentar-se ao seu lado: — Beba um pouco de chá, mãe.
Um vinco de puro ódio dividia as sobrancelhas de Jessica. Ela bebericou o líquido, mas bufou logo depois: — A Tereza acha que agora é a dona da verdade. Como se atreve a usar a influência da idosa para me confrontar?
Num tom de voz leve feito pluma e postura completamente reverente, Hera afagou seu ego: — Mãe, não fique tão aborrecida. Eu sei que foi injusto. É que, no jantar, não dava para se defender com a avó e o resto dos parentes por perto.

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