Tereza olhou para ele, aturdida por alguns segundos, antes de responder:
— Estou um pouco cansada esta noite.
Norberto franziu sutilmente as sobrancelhas bem desenhadas. Logo depois, puxou o cobertor e levantou-se da cama.
— Tudo bem, descanse um pouco. — O homem passou por ela, deixando um leve rastro de perfume amadeirado que flutuou com a brisa.
Naquele exato momento, o coração de Tereza pareceu se estilhaçar sob a força de um martelo.
Ela levantou a cabeça e fechou os olhos com força. Foi a primeira vez que ela ativamente o rejeitou.
Na manhã seguinte, Tereza acordou cedo, vestiu uma roupa de ginástica e, após duas voltas de corrida, retornou à sala. Encontrou Norberto sentado no sofá tomando café, enquanto Delfina, já trocada, brincava de montar blocos ao lado dele.
A luz do amanhecer banhava o recinto, pintando uma cena serena e acolhedora entre pai e filha.
— Mamãe! — Delfina correu alegremente e começou a circular ao redor de Tereza.
Tereza tomou um gole de água morna em um copo e lhe disse com doçura:
— Ao meio-dia, vou levar você para almoçar com a Sra. Célia.
— Eba! Eu quero ir. — Delfina comemorou entusiasmada, com os olhinhos brilhando.
Norberto ergueu o rosto e olhou de relance para Tereza.
Tereza não lhe disse uma palavra. Subiu para o quarto e desceu algum tempo depois vestindo uma saia nova. Suas proporções perfeitas e silhueta esbelta, envoltas num vestido xadrez, davam-lhe uma aparência terna e sofisticada.
— A mamãe está tão linda! — Delfina foi cheia de elogios e carinho: — Eu também quero colocar meu vestidinho para sair.
Tereza riu:
— Tão novinha e já é tão vaidosa?
— Mas eu quero. — resmungou a menina.
— Já pedi o menu completo para nós. — Célia acomodou no colo a pequena Delfina, com cheirinho de leite, e seu humor melhorou visivelmente.
Delfina também gostava muito daquela tia cheirosa, esfregando o rostinho em seu colo.
Logo em seguida, a garotinha ficou encantada pelos pequenos bolinhos de arroz em formato de animais que estavam na mesa. Começou a examiná-los com atenção e a levar as colheradas à boquinha.
Após trocarem algumas novidades triviais, a conversa logo migrou para a vida pessoal.
— Divorciar-se é realmente difícil. — Célia encostou-se no banco, massageando as têmporas. — Eu suspeito que ele só esteja tentando me fazer perder tempo. Depois de tanta briga e desgaste, ele ainda se recusa a assinar os papéis. E o pior de tudo é que, não sei como, ele usou uma de suas empresas para investir no meu ateliê. Agora tudo isso virou uma complicação financeira. Ele é ardiloso e calculista.
Tereza sentiu muita pena da amiga; afinal, já se passava um ano e o casamento dela ainda não havia sido dissolvido.
— Quer que eu lhe indique um advogado melhor? — Tereza perguntou com preocupação.
— Não adianta contratar mais ninguém. Agora a única coisa que me resta é esperar. — Célia cortava o bife de forma raivosa, rangendo os dentes, enquanto desabafava: — Depois do que estou passando, entendi de vez uma coisa. Tem muito homem que não é que seja exatamente mau, é apenas puro egoísmo. Se você obedece a tudo o que eles dizem, maravilha. Mas, no instante em que você tenta se impor, agem como se estivessem sendo esfaqueados pelas costas. Fazem de tudo para que você abaixe a cabeça.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido