— Tudo bem! — Gregório assentiu com um sorriso e entregou o buquê a Filomena. — Estas são para a senhora.
Filomena recebeu as flores com alegria:
— Muito gentil da sua parte.
Tereza as pegou das mãos da mãe, agradeceu e foi procurar um vaso para colocar as flores na água.
O olhar de Gregório acompanhou a silhueta de Tereza. A maquiagem leve não conseguia esconder o traço de cansaço em seu belo rosto. Sua aura naturalmente fria e distante parecia estar se adequando cada vez mais ao seu papel como a Sra. Cardoso.
Sem deixar transparecer, Gregório desviou o olhar e baixou a cabeça para dar um gole no chá.
Flávio voltou com Delfina. Naquele momento, o quintal da Família Leal ficou ainda mais animado, com a chegada de outros parentes e amigos, ocupando um total de três mesas num ambiente festivo.
Tereza sentou-se ao lado de Norberto, segurando a filha no colo. Enquanto conversava com os convidados, ele descascava camarões com naturalidade e os colocava na boquinha exigente da menina.
Aos olhos de todos os presentes, o relacionamento do casal era excelente. Algumas das mulheres até invejavam Tereza por ter entrado em uma família tão prestigiada e, ainda assim, ser tratada com tanto respeito e cuidado pelo marido.
O único detalhe que maculava aquela imagem perfeita era o boato de que a filha deles havia nascido com uma doença cardíaca congênita.
Gregório acabou bebendo um pouco além da conta. Devido à sua agenda apertada no hospital, ele partiu logo após a refeição. Antes de sair, aproximou-se de Tereza para lembrá-la:
— Na quarta-feira é o dia da bateria de exames da Delfina. Não se esqueça. Um especialista internacional estará na cidade para consultas beneficentes, e pedi a ele que dê uma olhada no caso dela.
Tereza levantou-se prontamente e respondeu, cheia de gratidão:
— Muito obrigada, Gregório. Na quarta-feira, levarei a Delfina logo cedo.
— Combinado!
Após dizer isso, Gregório voltou-se para Norberto:
— Norberto, eu vou indo na frente.
Norberto acenou afirmativamente com a cabeça.
Às duas da tarde, Norberto foi o próximo a sair. Antes de partir, deixou um cartão de crédito com Filomena, dizendo que era uma pequena lembrança para o sogro.
Filomena pegou o cartão, mas, com medo de que o marido ficasse furioso, chamou Tereza para dentro do quarto.
Ela e Delfina só foram embora depois do jantar. Quando chegaram à mansão, já passava das dez da noite.
Assim que ela estacionou o carro, uma mão grande abriu a porta. Era Norberto, que já havia tomado banho e vestia um roupão cinza. Com delicadeza, ele abriu a porta de trás e pegou no colo a pequena Delfina, que já estava dormindo.
— Dia cansativo, imagino que você também esteja exausta. — Norberto permaneceu perto do carro com a filha nos braços, fitando Tereza.
— Sim. Por favor, cuide da nossa filha esta noite. — respondeu Tereza com um sorriso, antes de caminhar em direção à sala de estar.
Norberto seguiu-a escada acima com Delfina nos braços. A criança dormia profundamente.
Ele a deitou gentilmente na cama e cobriu-a com carinho. Em seguida, fechou a porta e foi para o quarto principal.
Quando Tereza saiu do banho, viu o marido sentado na cama, folheando um livro.
— Por que não foi dormir ainda? — Tereza perguntou enquanto espalhava hidratante nas mãos.
Norberto fechou o livro e repousou seus olhos profundos em Tereza, lançando-lhe um olhar enigmático.
— Quer fazer amor hoje à noite? — ele perguntou, com a voz ligeiramente mais rouca.

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