Os olhos de Célia Guedes se arregalaram de surpresa. Como o ocupadíssimo homem no comando do Grupo Cardoso tinha o lazer de visitá-la hoje?
Norberto Cardoso trazia o paletó dobrado sobre o braço, vestindo apenas uma camisa branca com as mangas casualmente dobradas até os cotovelos e os dois primeiros botões abertos.
Emanava uma aura de nobreza e languidez.
Parado à porta, seu olhar varreu a multidão.
Primeiro, avistou a adorável Delfina Cardoso brincando com algumas crianças da mesma idade. Em seguida, seu olhar recaiu sobre Tereza Leal, que conversava com algumas mulheres elegantemente vestidas em outro canto.
Norberto fez menção de caminhar até lá.
Nesse exato momento, uma figura imponente em um vestido vermelho vibrante bloqueou o seu caminho.
— Ora, se não é o Diretor Cardoso? A sua presença ilustre é uma verdadeira honra para mim. — Célia falou com um tom de escárnio evidente, mas ainda assim chamou um garçom e entregou uma taça de champanhe a Norberto.
Norberto estendeu a mão para pegar a taça, respondendo com polidez:
— Vim procurar a Tereza e a minha filha. Peço desculpas por aparecer sem convite.
Com uma mão na cintura, Célia riu:
— Viu a roupa que a Tereza está usando hoje? O que o Diretor Cardoso achou? Fui eu mesma quem desenhou.
O olhar de Norberto cruzou o salão e pousou em Tereza, que ainda não havia notado a sua presença.
Ele a elogiou prontamente, em voz suave:
— O vestido combina perfeitamente com a elegância dela. O design da Diretora Guedes é realmente único.
Sabendo que eram apenas palavras vazias, Célia deu um leve bufo:
— O Diretor Cardoso está dizendo que o vestido é bonito, ou que a mulher é bonita?
Norberto hesitou por um momento, percebendo que Célia parecia nutrir um certo preconceito contra ele.
Quando estava prestes a responder, a voz de Tereza soou primeiro:
— Célia.
Célia, como se tivesse sido pega no flagra, deu um sorriso sem graça:
— Tereza, você chegou em péssima hora. Eu ainda não consegui arrancar a verdade do Diretor Cardoso.
— Não vamos falar sobre isso. — Tereza não queria se expor a uma situação constrangedora.
Célia, no entanto, não conseguiu se conter. Ergueu uma sobrancelha e disparou o que estava entalado na garganta:
— A nossa Tereza tem capacidade e beleza de sobra. Sinceramente, não sei onde certas pessoas estão com a cabeça para...
— Célia! — Tereza a encarou com um traço de súplica nos olhos e balançou a cabeça negativamente.
Só então Célia se calou, mas o seu olhar para Norberto ganhou um tom ainda maior de ressentimento.
Norberto manteve o sorriso ameno durante todo o tempo, como se aquelas alfinetadas fossem apenas brincadeiras entre amigos, sem dar-lhes a menor importância.
— Papai... — Delfina correu alegremente e abraçou a perna de Norberto, com o rostinho cheio de surpresa. — A Sra. Célia também convidou você?
Norberto abaixou-se para pegar a filha no colo, deu-lhe um beijo na bochecha e respondeu com voz terna:
— Não, o papai estava em uma reunião aqui perto. Vi que a mamãe estava aqui e resolvi passar para dar um oi.
— Ah, nós já estamos aqui faz um tempão. A mamãe estava agorinha mesmo falando que a gente já ia embora. — disse Delfina, com um biquinho, abraçada ao pescoço do pai.

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