— Como você tem tanta certeza? — Jessica achava o filho um tanto ingênuo; qualquer mulher seria incapaz de simplesmente fechar os olhos para uma situação dessas.
— Não se preocupe, mãe. Se eu disse, certamente cumprirei. — Norberto não parecia disposto a discutir os sentimentos de Tereza.
— Entendo. Então, converse direito com a Tereza, peça para que ela não seja mesquinha com a Hera. — O coração de Jessica há muito pendia para o lado da pobre nora viúva.
— Não vai chegar a esse ponto, ela sempre foi muito sensata. — Dito isso, Norberto virou-se e subiu as escadas.
Ao entrar no quarto de hóspedes, viu Delfina brincando com os seus brinquedos em cima da cama, enquanto o som de água corrente vinha do banheiro.
Norberto deitou-se de lado para brincar um pouco com Delfina.
— Papai, quando você e a mamãe vão me dar um irmãozinho e uma irmãzinha? — soltou Delfina de repente.
Em seguida, olhou seriamente para Norberto: — Todos os meus amiguinhos da escola têm irmãos e irmãs, só eu que não.
Norberto acariciou ternamente a cabeça da filha: — E você quer um irmãozinho ou uma irmãzinha?
— Eu quero os dois. Dá para vocês terem dois de uma vez só? — perguntou Delfina com seriedade, piscando os seus grandes olhos escuros.
Norberto começou a rir na mesma hora: — Isso já seria um pouco complicado.
— Por que não? Então vai logo beijar a mamãe. Se você beijar duas vezes... nascem dois.
Norberto achou imensa graça nas palavras da filha.
Tereza, que estava prestes a sair do banheiro, ouviu a conversa entre pai e filha e paralisou com a mão ainda na maçaneta.
— Tudo bem, o papai vai se esforçar para dar um irmãozinho ou irmãzinha à Delfina. — Norberto prometeu com um sorriso.
O coração de Tereza afundou de imediato. No dia do velório, ela ouvira com os próprios ouvidos, do terceiro andar, Hera informá-lo de que não pretendia ter mais filhos. Como Norberto conseguia prometer com tanta facilidade dar irmãos a Delfina?
— Então eu vou perguntar para a mamãe se ela concorda. — Delfina começou a pular alegremente na cama.
— Delfina, não conte isso para a mamãe ainda. — Norberto levantou-se rapidamente, segurando a filha para protegê-la dos saltos e pedindo em voz baixa.
— Por que não? — Delfina piscou os olhos.
— Vamos manter segredo por enquanto, para fazer uma surpresa para ela. — A desculpa dada por Norberto foi simples.
— Papai, vamos dormir todos juntos esta noite? — Delfina abraçou um dos seus braços. — Faz tanto tempo que não dormimos nós três juntos. Quero que vocês fiquem comigo hoje.
— Tudo bem, o papai vai tomar um banho e já volta. — Norberto deu uns tapinhas no braço dela. — Solte-me primeiro, vou tentar vir o mais rápido possível para ficar com você.
— Uhum! — Delfina soltou as mãozinhas.
Após sair do banho, Tereza apagou a luz principal do quarto, deixando apenas um pequeno abajur aceso.
Delfina aninhou-se em seus braços, ouvindo Tereza inventar uma história divertida sobre uma corrida de animais.
Mais de dez minutos depois, a porta do quarto se abriu, e a figura alta de Norberto surgiu na entrada.
Ele usava um pijama de seda com a faixa amarrada na cintura. Na penumbra da noite, exalava um charme avassalador, típico de um homem maduro.
— A Delfina pediu para eu vir dormir com vocês. — Enquanto falava, Norberto deitou-se do outro lado da cama.
— Deita aqui pertinho, papai. — Quase adormecida, Delfina acenou com a mãozinha.
— Durma, querida. — Norberto aproximou-se carinhosamente, esticou a mão e afagou os cabelos macios da filha.

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