— Ela foi embora.
O lago silencioso no peito de Sebastião pareceu ser engolido por uma tempestade violenta.
Ele agarrou Renato, a voz rouca traindo a agitação:
— Ela é a nova funcionária daqui. Vocês devem ter registrado os dados quando ela foi contratada. Posso ver a identidade dela?
Renato não disse uma palavra. Correu para buscar o registro de funcionários e entregou a Sebastião.
O olhar gélido de Sebastião varreu o número da identidade no perfil de Vanusa. Não era o de Luana. A foto também não era dela.
A decepção era como fios invisíveis, estrangulando seu coração a ponto de tornar cada respiração um tormento.
Em meio à asfixia, o telefone tocou. Era Zaqueu:
— O senhor me desculpe incomodar, mas, meia hora atrás, Estela atendeu uma ligação e saiu.
Sebastião franziu as sobrancelhas, uma pontada aguda perfurando o peito. Ele perguntou:
— Aonde quer chegar com isso?
— Estela saiu de forma muito misteriosa depois dessa ligação. Eu perguntei, mas ela não me disse nada. O senhor acha que pode ter sido a senhora?
Uma euforia irracional atingiu os sentidos de Sebastião, correndo como fogo por suas veias.
Ele reprimiu a urgência em sua voz:
— Rápido. Vá atrás de Estela. Agora.
Zaqueu assentiu prontamente.
Ele pulou no carro e acelerou na direção que Estela havia tomado.
Após a ligação de Zaqueu, Sebastião nem se deu ao trabalho de avisar Hélder e João. Simplesmente disparou para fora do Hotel Hilton.
Quando Hélder e João correram atrás dele, só tiveram tempo de ver o Cayenne acelerando bruscamente para longe.
Os dois trocaram olhares confusos.
João quebrou o silêncio:
— Hélder, será que Sebastião finalmente encontrou Luana?
Hélder suspirou:
— Só Luana é capaz de fazê-lo perder o controle desse jeito.
Estela havia acabado de receber a ligação de Luana, que pediu para se encontrarem na Casa do Maracujá, na Rua Huanyu.
Estela entrou no estabelecimento.
Viu uma mulher usando uma máscara, sentada no canto.
— Estela.
A mulher mascarada acenou.
Estela reconheceu a voz de Luana e pareceu perder o chão por um instante. Caminhou até ela, a voz embargada:
— É você, Luana?
— Se não veio ver a senhora, então quem lhe entregou essa certidão de divórcio?
— O lixo do meu ex-marido. Tem algum problema?
Zaqueu coçou a cabeça. De fato, Estela nunca afirmou que ia ver Luana. Ele estava tão desesperado por seu chefe que presumiu isso sozinho.
Ele olhou em volta:
— E onde está esse lixo?
Não havia sinal de ex-marido algum por ali.
Estela respondeu com frieza:
— Já foi.
— Onde está Luana?
Sebastião chegou como um furacão. Ao não ver nenhum rastro de Luana, sua voz rouca soou perigosa.
O rosto de Sebastião estava banhado em suor. Estela finalmente entendeu a pressa de Luana. Ela já sabia que o Sr. Antônio e Zaqueu não tardariam a chegar.
O motivo da chegada abrupta era óbvio. Zaqueu suspeitou da ligação e avisou o patrão.
Estela não teve tempo de repreender Zaqueu e logo se justificou:
— Sr. Antônio, foi apenas o meu ex-marido. Ele veio me trazer a certidão de divórcio, por isso...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...