O olhar gélido de Sebastião se cravou em Zaqueu, que tremeu nas pernas e gaguejou:
— Eu... Eu achei que a senhora tivesse ligado para ela.
Os olhos de Sebastião eram puros poços de gelo e fúria:
— Use a cabeça da próxima vez.
Fez com que ele fosse consumido por uma falsa esperança, apenas para queimar no próprio inferno.
Sebastião entrou bruscamente no carro, que acelerou de volta ao Jardins do Perfume.
— Pai, você voltou.
Sílvio correu e abraçou suas longas pernas:
— Encontrou a Luana?
Sebastião olhou para o garoto que mal chegava à sua coxa. A angústia sufocante em seu peito se misturou a uma raiva que ele não tinha onde descarregar. Encarando os olhos brilhantes de Sílvio, curvou-se, soltou as mãozinhas do filho de suas pernas e subiu as escadas sem dizer uma palavra.
O som de uma porta batendo violentamente ecoou no andar de cima. Sílvio franziu o cenho, o rostinho pálido.
Uma buzina soou no pátio.
Sílvio correu para fora e viu Estela e Zaqueu saindo do carro. Disparou até Estela:
— Ainda não encontraram a Luana?
Estela respondeu:
— Não.
Então, Estela lançou um olhar para Zaqueu, segurou a mãozinha de Sílvio e entrou na mansão.
No quarto infantil, Estela abraçou Sílvio e sussurrou algo em seu ouvido. Os olhos da criança se iluminaram.
— Luana voltou?
Estela rapidamente cobriu a boca dele e sibilou:
— Pelo amor de Deus, fale baixo. Luana não quer que o Sr. Antônio saiba. Você não pode traí-la.
Sílvio assentiu com seriedade, diminuindo o tom:
— Mas ela disse quando vai voltar?
— Luana disse para você se comportar. Assim que curar o rosto, ela volta.
Estela não estava mentindo. Foi exatamente o que Luana havia dito.
Sílvio piscou, ainda um pouco cético:
— Dá para curar o rosto dela? Meu pai não montou uma equipe médica? Luana é teimosa, seria muito melhor se tratar em casa.
Com medo de que o menino culpasse a mãe, Estela apressou-se em dizer:
— Os médicos normais não conseguem tratar o rosto dela. Ela foi procurar especialistas de alto nível lá fora. Não tenha pressa. Se ela disse que volta, é porque volta. Mas não pode contar ao seu pai. Se contar, ela desaparece para sempre.
Sílvio concordou na mesma hora:
— Feito.
— Promessa de dedinho.
Eles cruzaram os dedos mindinhos.
Enquanto isso, após Sebastião deixar o Hotel Hilton, Renato, temendo problemas e sem saber qual era a ligação entre Vanusa e aqueles homens poderosos, decidiu demitir Vanusa e Patrícia imediatamente.
Patrícia saiu do hotel arrastando sua mala.
Ela caminhava sem rumo pelas ruas quando o celular tocou. Olhou para a tela; era o número de Vanusa.
Patrícia atendeu, a voz arrastada:
— Vasco, preciso de um favor. Pode me ajudar?
No instante em que ouviu a voz de Luana, Vasco pareceu perder o chão. Demorou uma eternidade para recuperar os sentidos, a voz carregada de emoção:
— Luana! Onde você está? Por que sumiu por tanto tempo?
Luana empurrou a língua contra o interior da bochecha, a voz vazia e distante:
— Pode me ajudar, Vasco?
— Apenas diga o que precisa.
Notando a recusa dela em responder, Vasco não ousou forçar.
Luana explicou a situação, e Vasco aceitou sem hesitar.
Quando Vasco dirigiu até a zona oeste, não encontrou Luana. Em vez disso, uma garota de aparência comum caminhou até ele com uma mala:
— Com licença, você é o senhor Vasco?
Vasco confirmou:
— Sou eu.
Patrícia explicou:
— Eu sou a Patrícia. A Vanusa teve um imprevisto e precisou ir embora antes.
Uma decepção profunda invadiu o peito de Vasco.
Ele pegou a mala de Patrícia, jogou-a no porta-malas e a levou embora.
Vasco já havia arranjado tudo. Conseguiu-lhe uma vaga como copeira em uma empresa de e-commerce.
Dois dias depois, ainda não havia nenhum sinal de Luana. Sebastião acionou todos os seus contatos e enviou exércitos para revirar a cidade. Luana já não ousava sequer pisar em uma pousada barata, quanto mais em um hotel.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...