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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 594

A reação de Luana foi letalmente rápida. Num rompante, tentou fechar a porta, mas o braço musculoso do homem bloqueou a madeira. Por mais que ela empurrasse com toda a sua força, a porta sequer rangeu.

Os olhos frios de Luana cravaram em Dante. Ele não recuou um milímetro. Em vez disso, invadiu o minúsculo espaço com a metade do corpo. A voz dela saiu afiada:

— Quem é você? O que pensa que está fazendo? Posso chamar a polícia por invasão de domicílio.

Dante simplesmente a ignorou. Empurrou a porta de vez e passou por ela com a arrogância de quem domina o espaço. A indiferença dele fez o coração de Luana disparar em pânico silencioso. Ela se virou para ele:

— Saia daqui, ou vou chamar a polícia.

O olhar analítico de Dante varreu o cubículo. Uma cama improvisada, uma única mala no chão — a vida inteira de uma mulher reduzida àquilo. Não havia cozinha. Nenhuma panela, prato ou talher.

Seus olhos pousaram na lixeira transbordando, compreendendo instantaneamente a realidade da sobrevivência dela.

Apenas comida barata por aplicativo.

Com sua estatura imponente, Dante sufocava o ambiente já claustrofóbico apenas por estar de pé no centro do quarto.

Encarou Luana, os lábios se contorcendo num tom sombrio:

— Srta. Luana. Sebastião está virando Porto Fundo do avesso à sua procura. Você abandona o topo do mundo para apodrecer neste buraco sujo. Perdeu o juízo?

Foi a primeira vez que Dante dirigiu palavras tão rudes e contundentes a ela.

A fúria por ver a autodestruição da mulher do melhor amigo arrancou qualquer resquício de diplomacia.

O sorriso de Luana era vazio, gélido:

— Não sou a Srta. Luana. Meu nome é Vanusa. Você já não sabia disso?

Dante rebateu:

— Uma paciente que acabei de avaliar. Como não saberia? Se você não é Luana, por que fugiu à tarde? Se você não é Luana, por que tentou bater a porta na minha cara em vez de me convidar para entrar?

Luana improvisou, a voz sem emoção:

— O corredor estava escuro. Como eu saberia quem você era? Além disso, um homem invadindo este lugar a essa hora... Você tem sorte de eu não tê-lo escorraçado a pauladas.

Em condições normais, ele pisaria em ovos, temendo que uma palavra mal colocada acendesse o gatilho final.

A voz de Dante perdeu parte da aspereza:

— Esconder-se nas sombras não vai resolver nada. E eu tenho certeza de que Sebastião não se importaria. Ele a ama com a própria alma. Seu rosto não faria diferença para ele.

Luana pressionou a língua contra os dentes. O sorriso que surgiu era de uma desolação fantasmagórica:

— No começo, talvez ele tolere. Mas com o tempo, o vazio fala mais alto. Nenhum homem suporta. Além disso, eu já não posso mais ter uma vida... íntima com ele.

Ela jogou a verdade no ar, sem rodeios. Como seu médico, Dante sabia exatamente até que ponto o veneno havia corroído seu corpo.

A menção a essa consequência fez o silêncio pesar como chumbo sobre Dante.

Era um fato irrefutável. A intimidade física era a base da união no mundo de qualquer casal.

Quando a conexão sexual morria, a distância espiritual e o colapso eram apenas uma questão de tempo.

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