A reação de Luana foi letalmente rápida. Num rompante, tentou fechar a porta, mas o braço musculoso do homem bloqueou a madeira. Por mais que ela empurrasse com toda a sua força, a porta sequer rangeu.
Os olhos frios de Luana cravaram em Dante. Ele não recuou um milímetro. Em vez disso, invadiu o minúsculo espaço com a metade do corpo. A voz dela saiu afiada:
— Quem é você? O que pensa que está fazendo? Posso chamar a polícia por invasão de domicílio.
Dante simplesmente a ignorou. Empurrou a porta de vez e passou por ela com a arrogância de quem domina o espaço. A indiferença dele fez o coração de Luana disparar em pânico silencioso. Ela se virou para ele:
— Saia daqui, ou vou chamar a polícia.
O olhar analítico de Dante varreu o cubículo. Uma cama improvisada, uma única mala no chão — a vida inteira de uma mulher reduzida àquilo. Não havia cozinha. Nenhuma panela, prato ou talher.
Seus olhos pousaram na lixeira transbordando, compreendendo instantaneamente a realidade da sobrevivência dela.
Apenas comida barata por aplicativo.
Com sua estatura imponente, Dante sufocava o ambiente já claustrofóbico apenas por estar de pé no centro do quarto.
Encarou Luana, os lábios se contorcendo num tom sombrio:
— Srta. Luana. Sebastião está virando Porto Fundo do avesso à sua procura. Você abandona o topo do mundo para apodrecer neste buraco sujo. Perdeu o juízo?
Foi a primeira vez que Dante dirigiu palavras tão rudes e contundentes a ela.
A fúria por ver a autodestruição da mulher do melhor amigo arrancou qualquer resquício de diplomacia.
O sorriso de Luana era vazio, gélido:
— Não sou a Srta. Luana. Meu nome é Vanusa. Você já não sabia disso?
Dante rebateu:
— Uma paciente que acabei de avaliar. Como não saberia? Se você não é Luana, por que fugiu à tarde? Se você não é Luana, por que tentou bater a porta na minha cara em vez de me convidar para entrar?
Luana improvisou, a voz sem emoção:
— O corredor estava escuro. Como eu saberia quem você era? Além disso, um homem invadindo este lugar a essa hora... Você tem sorte de eu não tê-lo escorraçado a pauladas.
Em condições normais, ele pisaria em ovos, temendo que uma palavra mal colocada acendesse o gatilho final.
A voz de Dante perdeu parte da aspereza:
— Esconder-se nas sombras não vai resolver nada. E eu tenho certeza de que Sebastião não se importaria. Ele a ama com a própria alma. Seu rosto não faria diferença para ele.
Luana pressionou a língua contra os dentes. O sorriso que surgiu era de uma desolação fantasmagórica:
— No começo, talvez ele tolere. Mas com o tempo, o vazio fala mais alto. Nenhum homem suporta. Além disso, eu já não posso mais ter uma vida... íntima com ele.
Ela jogou a verdade no ar, sem rodeios. Como seu médico, Dante sabia exatamente até que ponto o veneno havia corroído seu corpo.
A menção a essa consequência fez o silêncio pesar como chumbo sobre Dante.
Era um fato irrefutável. A intimidade física era a base da união no mundo de qualquer casal.
Quando a conexão sexual morria, a distância espiritual e o colapso eram apenas uma questão de tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...