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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 607

Toc, toc, toc!

Alguém bateu à porta.

Sebastião abriu. O rosto pálido e arredondado do jovem monge surgiu:

— O jantar está servido.

Sebastião seguiu o monge por vários pátios. Ao entrar no refeitório anexo, viu Dante, Benito, Zaqueu e os outros à mesa. Mas seu olhar estagnou ao focar na figura na entrada. Vasco Monteiro.

O que ele faz aqui?

Vendo a desconfiança e a aura predatória nos olhos de Sebastião, Benito largou os talheres e sussurrou ao seu ouvido:

— Sr. Antônio, o Sr. Vasco não veio sozinho. A Senhora também está aqui.

Sebastião arregalou os olhos.

Notando o olhar de Sebastião vagar pela sala desesperado, Benito adiantou-se:

— Ela foi chamada ao quarto do Mestre Sa assim que chegou.

Sem dizer uma palavra, Sebastião virou-se bruscamente e saiu do refeitório.

Quando Benito tentou segui-lo, Dante barrou:

— Deixe ele.

Benito:

— Mas...

Dante:

— Vá mandar mensagens para sua namorada se não tem o que fazer. Se não cuidar do seu relacionamento, vai levar um belo chifre.

Benito revirou os olhos:

— Minha mulher me adora. Já você, com essa frieza de médico, vai arrumar um par de chifres da mais alta classe quando namorar.

— Cai fora. — Dante deu um tapa na nuca dele.

Sebastião caminhou rapidamente de volta ao quarto carmesim. O seu porte imponente escorado na sombra do beiral tentava esconder a ansiedade devoradora. Os dedos cruzados, no entanto, tremiam. Ele não queria transparecer qualquer fraqueza, mas o medo do que o Mestre diria a ela o estava consumindo por dentro.

— Soube que me acidentei e correu até aqui?

Luana:

— Sim. Dante disse que você estava gravemente ferido. Fiquei desesperada.

O olhar dela escaneou o corpo dele. Vendo que ele não corria risco de vida, seu alívio foi visível, dissipando a sua postura vazia por um segundo.

De repente, a imagem do refeitório voltou à mente dela. Temendo o pior dele, ela se justificou:

— Não fui eu quem pediu para Vasco vir junto. Estela teve medo que algo acontecesse no caminho e o notificou.

Naquele momento, Sebastião só pensava na doença e na exaustão dela viajando até ali. No entanto, ao lembrar do olhar possessivo de Vasco, uma amargura dominou suas palavras, cheias de arrogância de quem domina:

— Por que eu sentiria ciúmes? O Sr. Vasco tem mérito por trazer a minha mulher em segurança até mim.

Luana soltou uma risada contida, os olhos levemente marejados:

— Que bom. Sebastião, estou tão feliz que você esteja vivo.

Assim que soube por Dante que o ferimento não foi fatal, a alma transparente e estilhaçada dela voltou um pouco ao corpo.

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