Toc, toc, toc!
Alguém bateu à porta.
Sebastião abriu. O rosto pálido e arredondado do jovem monge surgiu:
— O jantar está servido.
Sebastião seguiu o monge por vários pátios. Ao entrar no refeitório anexo, viu Dante, Benito, Zaqueu e os outros à mesa. Mas seu olhar estagnou ao focar na figura na entrada. Vasco Monteiro.
O que ele faz aqui?
Vendo a desconfiança e a aura predatória nos olhos de Sebastião, Benito largou os talheres e sussurrou ao seu ouvido:
— Sr. Antônio, o Sr. Vasco não veio sozinho. A Senhora também está aqui.
Sebastião arregalou os olhos.
Notando o olhar de Sebastião vagar pela sala desesperado, Benito adiantou-se:
— Ela foi chamada ao quarto do Mestre Sa assim que chegou.
Sem dizer uma palavra, Sebastião virou-se bruscamente e saiu do refeitório.
Quando Benito tentou segui-lo, Dante barrou:
— Deixe ele.
Benito:
— Mas...
Dante:
— Vá mandar mensagens para sua namorada se não tem o que fazer. Se não cuidar do seu relacionamento, vai levar um belo chifre.
Benito revirou os olhos:
— Minha mulher me adora. Já você, com essa frieza de médico, vai arrumar um par de chifres da mais alta classe quando namorar.
— Cai fora. — Dante deu um tapa na nuca dele.
Sebastião caminhou rapidamente de volta ao quarto carmesim. O seu porte imponente escorado na sombra do beiral tentava esconder a ansiedade devoradora. Os dedos cruzados, no entanto, tremiam. Ele não queria transparecer qualquer fraqueza, mas o medo do que o Mestre diria a ela o estava consumindo por dentro.
— Soube que me acidentei e correu até aqui?
Luana:
— Sim. Dante disse que você estava gravemente ferido. Fiquei desesperada.
O olhar dela escaneou o corpo dele. Vendo que ele não corria risco de vida, seu alívio foi visível, dissipando a sua postura vazia por um segundo.
De repente, a imagem do refeitório voltou à mente dela. Temendo o pior dele, ela se justificou:
— Não fui eu quem pediu para Vasco vir junto. Estela teve medo que algo acontecesse no caminho e o notificou.
Naquele momento, Sebastião só pensava na doença e na exaustão dela viajando até ali. No entanto, ao lembrar do olhar possessivo de Vasco, uma amargura dominou suas palavras, cheias de arrogância de quem domina:
— Por que eu sentiria ciúmes? O Sr. Vasco tem mérito por trazer a minha mulher em segurança até mim.
Luana soltou uma risada contida, os olhos levemente marejados:
— Que bom. Sebastião, estou tão feliz que você esteja vivo.
Assim que soube por Dante que o ferimento não foi fatal, a alma transparente e estilhaçada dela voltou um pouco ao corpo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...