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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 608

Andaram lado a lado rumo ao refeitório. Dante e os outros já não estavam mais por ali, deviam ter se recolhido aos quartos.

Sebastião sentou-se de frente para Luana. Mastigavam a comida simples do templo, mas havia um sorriso silencioso e raro no rosto de ambos.

Reencontrar Luana encheu o coração de Sebastião de uma chama incontrolável. Se não estivessem em um lugar sagrado, ele não teria hesitado em tomá-la para si ali mesmo.

Sem que eles percebessem, do outro lado do refeitório, escondido pelas sombras e pela luz fraca dos postes, um homem os observava. O olhar cravado em quem jantava.

O ciúme devorador escorria pelo peito de Vasco.

Um tapa leve em seu ombro o fez se virar. Era Benito. Vasco franziu o cenho.

Benito olhou para o casal e riu pelo nariz:

— Sr. Vasco, não cansa disso?

Vasco desviou o olhar com desdém e deu as costas para sair.

Atrás dele, Benito disse:

— Por que cobiçar o que não te pertence?

Achou que ficaria sem resposta, mas Vasco retrucou de longe:

— Enquanto me fizer feliz, eu cobiço.

Após o jantar, o jovem monge apareceu e os reverenciou, transmitindo a mensagem de Mestre Sa:

— O Mestre pede que os dois o encontrem no quarto dele. Acompanhem-me.

Chegando à porta, o monge foi cuidar de seus próprios afazeres.

No quarto, Mestre Sa estava em posição de meditação. Abriu os olhos, encarou a aura negra de Sebastião, depois as cinzas de Luana, e pediu que se sentassem. Entregou um pedaço de papel a cada um.

— Escrevam seus desejos, por favor.

Capítulo 608 1

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