Por completas duas horas, os olhos dominantes de Sebastião cravaram-se sobre os dois Pingentes de Saudade que o Mestre havia amarrado.
Ele precisou apertar as mãos em punhos para refrear o ímpeto bestial de pular ali, arrancar o pingente de Luana e ler com os próprios olhos que inferno de desejo ela escondeu dele.
Ela incluiu ele em suas preces?
Sílvio com certeza estava. Mas será que ela pediu por ele?
Às sete, o jovem monge o chamou para o salão de jantar. Finalmente os olhos dele acharam Luana. Contudo, em seguida ele deparou-se com Nuno Barbosa, Fausto e Luís.
Hah. Um bando inteiro no encalço dela, e nenhum faltou.
Vendo Luana conversando calorosamente com eles enquanto sorria, a recusa da madrugada anterior fez a raiva negra arder em seu estômago. Sebastião já engolia Vasco Monteiro por reconhecer a escolta útil do outro nas horas perigosas. Mas ter Nuno Barbosa rondando ali esgotava até o limite de sua falsa tolerância e grandeza de dominador.
Os convidados notaram a aura insuportável exalando de Sebastião e ficaram quietos, engolindo seco e voltando a comer em silêncio fúnebre.
Luana o fitou, completamente insensível à nuvem gelada de fúria no rosto dele. Entregou um pão nas mãos de Sebastião:
— Coma logo. Vamos descer a montanha.
Sebastião pegou. Havia um assento vago colado no de Luana. Sem cerimônias, ele o tomou, usando seus próprios talheres para avançar na tigela dela. Pescou um pedaço de nabo dali, e mastigou como se rasgasse algo.
Estava claro para todos na mesa: a presença deles ali ao lado de sua mulher não passava de uma ameaça que ele esmagaria se pudesse.
Sabendo o quão tirano ele costumava ser em sua autoridade, ela apenas sorriu fracamente e abaixou a cabeça para continuar comendo o que sobrou em sua tigela.
Depois de comerem, Luana e Sebastião procuraram o Mestre Sa para as despedidas. Em frente ao quarto vazio, apenas o jovem frade estava:
— O Mestre desceu a montanha pela madrugada, viajando o mundo. Deixou um aviso, Senhora: jamais esqueça o que ele te disse.
Luana assentiu com um olhar distante:
Os relatórios expedidos logo na mesma noite não só deixaram Dante surpreso como desencadearam um caos de alívio na equipe farmacêutica. O limite intransponível com os medicamentos que eles tentavam formular fora estilhaçado pelo monge das montanhas.
As duas substâncias que Mestre Sa incluiu não possuíam o mesmo nome de nada que o laboratório tentou achar, no entanto, ele usou outras duas que substituíam e preenchiam os buracos falhos nas fórmulas passadas deles em completa perfeição.
Aquilo era nada menos que um milagre para quem viveu pisando nas cinzas.
Dante finalmente respirou sem passar noites enclausurado num laboratório fechado. Ligou no mesmo momento para Sebastião, confirmando para Luana comer as ervas de Mestre Sa sem nenhum medo e pontuou as habilidades inumanas do monge.
Ficaria maravilhado em visitar aquele curandeiro no alto da Montanha Ling no futuro.
Foi assim que Luana começou a consumir a medicina.
Mas, na exata tarde em que pisaram em Porto Fundo, Bernardo inundou o celular de Sebastião com ligações desesperadas, e Sebastião ordenou com que Dante fosse puxado para a Cidade do Trono o mais rápido possível.
A velha Senhora Lemos havia ingerido veneno por engano. Por conta da alta dosagem, ocorreu a falência total de órgãos. Como Sebastião não fora localizado naqueles dias, Bernardo precisou assinar todos os consentimentos no lugar da família, para o início imediato de medidas emergenciais pelos médicos especialistas do hospital. E antes das intervenções, os exames completos realizados expuseram células de câncer terminal em seu esôfago.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...