As palavras de Mestre Sa levantaram uma maré na alma antes adormecida de Luana:
— Dante me disse que a ferida não foi tão grave. Eu só...
O monge a interrompeu:
— Não acredite apenas no que os olhos veem, sinta com o coração. O rosto dele esconde um rastro de violência imenso. Na vida passada, ele foi cruel e quebrou sua alma. Nesta vida, ele queimará no próprio inferno para pagar o que te deve. Você pode acreditar em mim ou não, mas a verdade é que, sabendo que vocês viriam, esperei mais de um mês neste templo.
Luana ficou estarrecida:
— Mestre... Você já sabia que viríamos?
— Sim.
— Como?
Mestre Sa não respondeu. Apenas continuou:
— O destino não deve ser revelado.
Sua atenção recaiu sobre a máscara no rosto dela:
— Apenas quando esta máscara cair de verdade é que as suas amarras mentais serão rompidas. O que ele deseja possuir é o seu coração. Somente se o amor de vocês for mais forte que o aço, conseguirão superar esse ciclo de destruição juntos. Isso aliviará as provações vindouras dele.
Terminado de falar, o Mestre tirou remédios de uma gaveta. Eram dez pacotes.
Mestre Sa:
— Dez pacotes de Medicina Tradicional que preparei especialmente para você. Não direi que trarão uma cura imediata, mas irão varrer toda a dor de dentro de ti.
Ele também rascunhou a receita e entregou a ela:
— Depois de consumir estes pacotes, leve a receita e compre mais dez em uma farmácia. Lembre-se das palavras deste velho monge: em todos os momentos, você deve depositar sua fé incondicional nele. Caso contrário, a afinidade de vocês estará morta de vez, e vocês não passarão de dois estranhos para sempre.
Olhando para o medicamento sobre a mesa, Luana perguntou:
— Mestre. Isso realmente vai me curar?
— Experimente. Meu remédio só cura aqueles com quem tenho afinidade cármica.
Ao deixar o salão, a última frase de Mestre Sa ecoava no vazio da mente dela: "A afinidade de vocês estará morta de vez, e vocês não passarão de dois estranhos para sempre".
À noite, deitado na cama estreita, o peito de Sebastião latejava incessantemente com a dor do ferimento e a ansiedade descontrolada de sua mente, tornando o sono impossível.
No meio da madrugada, levantou-se para andar, sem achar o quarto onde ela dormia. Voltou ao quarto, e ligou o celular. Estava sem bateria. Foi até o quarto do jovem monge, que foi acordado com estupidez; bocejando, entregou um carregador.
Com o celular mostrando alguns tracinhos de energia, ele não aguentou o controle possessivo. Ligou o aparelho e abriu imediatamente o WhatsApp de Luana:
— Já dormiu?
Ele encarou a tela. Nenhuma resposta. A impaciência bateu, ele apertou para ligar.
Ao ouvir a pergunta impositiva, o corpo dela enrijeceu:
— Para que você quer saber?
O riso dele tomou contornos sombrios e perigosos:
— Vou ficar perto de você. E dormir do seu lado.
Luana sentiu o rosto queimar absurdamente no escuro.
— Nem... pensar.
Antes que ele pudesse forçar mais nada, a ligação caiu.
O bipe da linha morta soou como marteladas no coração controlador dele.
Tentou de novo. Desligado. A audaciosa havia desligado o celular.
Maldita Luana.
Ele queria possuir a noite, ir até ela por sentir tanta saudade e necessidade. E ela negava com essa frieza transparente.
Foi quando lembrou da cicatriz no rosto dela. Talvez ela temesse se expor a ele; com isso, a ira esvaziou um pouco, deixando um silêncio amargo.
Acordou novamente às cinco da manhã. Com as mãos cruzadas sob a nuca, fitou o horizonte através da janela, seus olhos pregados no Pingente de Saudade enquanto aguardava a alvorada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...