Quando Luana tentou ler pela segunda vez, a principal notícia nos assuntos em alta já havia sido substituída rapidamente por fofocas de celebridades. O interesse pela "órfã do Grupo Ramos" despencou.
Era óbvio. Alguém agiu nos bastidores para suprimir aquela matéria.
Luana verificou a conta oficial do Grupo Ramos no Twitter. Tudo parecia normal; os anúncios recentes tratavam apenas dos projetos de investimento da empresa.
Luana ligou para Fausto:
— Você mandou as relações públicas abafarem a notícia?
Do outro lado, Fausto estava em seu escritório analisando as oscilações de dados dos projetos sob sua gestão. Ao ver que era Luana, ajeitou a postura imediatamente. Percebendo a natureza delicada da pergunta, ele deixou o trabalho de lado:
— Srta. Luana, foi ordem do Sr. Sebastião.
Luana disse, com a voz apática:
— Certo. Entendi.
Fausto sentiu uma pontada de nervosismo. Não havia feito mal em contar a verdade, certo?
Após encerrar a chamada com Fausto, Luana iniciou uma chamada de vídeo diretamente para Sebastião.
O tom de chamada tocou por um longo tempo. Estava quase caindo quando foi atendido.
Na tela, Sebastião não aparecia. Havia apenas a imagem tremida de um teto. Luana sabia que ele devia estar caminhando e segurando o celular apontado para cima.
Ela não disse nada, os olhos fixos na tela. Após um farfalhar rápido, a câmera girou e os contornos esculpidos e afiados de Sebastião surgiram de repente. Ele não parecia bem. Seus lábios estavam brancos, e olheiras escuras manchavam a pele sob os olhos. Na Montanha Ling, por ser um refúgio espiritual, eles não haviam dormido na mesma cama. Assim que retornaram a Porto Fundo, Sebastião e Dante pegaram o remédio dela para análise. Logo depois, Bernardo o bombardeou de ligações e o levou embora.
Como resultado, Luana nem sequer tivera a chance de verificar os ferimentos dele. Dante havia dito que não era grave, mas o Mestre Sa a alertara para não confiar no que os olhos viam, e sim sentir com o coração.
Agora, sua intuição gritava que o estado de Sebastião era crítico. Um traço de dor ecoou no vazio do coração de Luana.
— O que está fazendo?
Na mente de Sebastião, a vida dela importava mais do que a da velha Sra. Lemos.
E Luana sabia muito bem o que aquela avó significava para ele. No mundo inteiro, além de Sílvio, Neusa Barbosa era a única família de sangue que lhe restava.
Pensando nisso, a garganta de Luana apertou, e seus olhos começaram a arder. Ela o chamou, quebrando a distância fria:
— Sebastião.
Ele parou abruptamente. Endireitou o celular, e seu rosto gélido e bem esculpido encheu a tela. A voz soou quase em pânico:
— O que foi? Luana, você está sentindo dor?
Vendo o desespero cru mascarado sob a feição imponente, a amargura no peito de Luana se aprofundou. Os lábios vermelhos tremeram em um quase sorriso.
— Não. Não precisa se preocupar comigo, eu só...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...