Luana hesitou, as palavras presas na garganta.
Percebendo a hesitação dela, os olhos de Sebastião escureceram. Ele parou completamente de andar, o olhar fixo e controlador gravado no rosto de Luana, mesmo que conseguisse ver apenas um contorno embaçado pela luz do sol refletida na máscara que ela usava.
Ela queria perguntar sobre a supressão das notícias na internet, mas a voz não saiu.
Finalmente, num tom distante, ela murmurou:
— Quero ir até você. Posso?
Sebastião soltou um suspiro lento. O canto de sua boca curvou-se ligeiramente.
— Benito está voltando para pegar a receita. Venha com ele.
E, com a mesma autoridade de sempre, ordenou:
— Deixe Sílvio em boas mãos.
— Tá.
A chamada de vídeo encerrou. Luana abaixou a cabeça, o olhar vazio preso nos números da tela: "Duração da chamada: 8 minutos e 16 segundos".
A amargura em seu peito se espalhava como cinzas levadas pelo vento. Sentia pena de Sebastião. Uma pena dolorosa e dilacerante.
Ver o rosto pálido e doente dele a deixou tomada por uma angústia sufocante.
Naquela tarde, Benito retornou. Luana confiou Sílvio a Estela, pegou a receita e apressou-se com Benito rumo à Cidade do Trono para encontrar Sebastião.
Desde que Sebastião a levara embora de casa, os negócios do Grupo Lemos haviam voltado provisoriamente para as mãos da velha Sra. Lemos. Mas, com o colapso repentino da matriarca, a empresa ficou acéfala, um verdadeiro caos. Nos últimos dois dias, Sebastião estivera organizando o campo de batalha interno do Grupo.
Assim que o avião pousou na Cidade do Trono, Benito foi a uma farmácia com a receita, enquanto Luana procurou Dante Penha.
Quando Luana chegou à sede do Grupo Lemos, a recepcionista não a reconheceu e barrou sua entrada no saguão. Luana ligou para Sebastião e, momentos depois, a recepcionista recebeu uma ligação interna de Zaqueu Lemos.
Zaqueu Lemos instruiu:
— Deixe a Senhora subir.
Paloma Alves
Seguido por um número de telefone.
As sobrancelhas de Luana se uniram.
Ela salvou o número de Paloma Alves em seus contatos.
E devolveu o papel à pasta.
Uma hora depois, Sebastião empurrou a porta. Ao ver Luana, seus lábios finos se curvaram ligeiramente. Com uma mão, puxou violentamente a gravata no pescoço; com a outra, jogou os documentos na mesa. Um brilho sombrio cintilava em suas pupilas profundas. Ele se sentou na cadeira. Luana se aproximou, e as pontas de seus dedos tocaram os ombros largos dele, massageando suavemente:
— Trabalhou duro.
A voz fria de Luana ressoou nos ouvidos de Sebastião. Ele ergueu a cabeça, os olhos recaindo diretamente no decote dela.
A respiração do homem se tornou pesada e quente, o pomo de adão subindo e descendo. Suas mãos grandes, de ossos fortes, agarraram a cintura fina dela, puxando-a brutalmente para seu abraço. Quando Luana caiu sobre as coxas dele, envolveu o pescoço do homem com os braços, depositando um beijo suave no canto de sua boca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...