Paloma passou a língua pelas bochechas, rindo com sarcasmo gélido:
— Comovida, não é?
— Faz sentido. Aquele homem quase perdeu a vida por você. Mulheres são seres emocionais. Eu também estaria comovida.
Paloma baixou os olhos, brincando com as unhas:
— Se acha que fui eu, então fui eu. Procure as provas. Aguardarei a polícia vir me prender.
A atitude cínica acendeu uma chama fraca no interior de Luana:
— Que absurdo é esse? Você não pensou nas consequências legais antes de cometer essa série de atrocidades? E sobre Lúcio Lacerda... A má fama dele o precede. Por que se envolver com ele?
— Envolver? Má fama? — repetiu Paloma.
Seu sorriso tornou-se assustadoramente frio:
— Vejo que você é tão cega quanto os outros. Só viu os rumores. Só viu que estou processando Lúcio, mas não faz ideia do que ele me fez.
Paloma desabotoou a blusa, revelando o colo, ombros, braços e cintura. Marcas roxas e escuras manchavam sua pele pálida. Marcas de mordidas cruéis adornavam seu pescoço. Era uma visão perturbadora que causou calafrios na espinha de Luana.
Após um olhar frio, Paloma desviou os olhos:
— Tem mais nas coxas. O estrago é pior. Quer ver?
Luana mordeu o lábio, a garganta sufocada por um nó ácido. O choque tirou-lhe as palavras.
Paloma ajeitou as roupas e puxou um maço de cigarros. Seus dedos tremiam levemente enquanto acendia um. Ela não era tão inabalável quanto tentava demonstrar.
A fumaça embaçou os traços bonitos de Paloma, expondo apenas seu desespero e miséria.
Luana sentiu o coração afundar num poço de amargura. Paloma olhou para fora, focando nas folhas de bananeira através da janela.
Luana telefonou para Sebastião:
— Sebastião. Pode me emprestar dinheiro?
Sebastião estava no escritório analisando documentos. Não houve surpresa em sua resposta dominante, a voz rouca impregnando o áudio:
— Não existe a palavra 'emprestar' entre nós. Você é minha mulher. O que é meu, é seu. Fale com Zaqueu e pegue o valor que quiser no cheque.
A imposição carinhosa de Sebastião fez os olhos de Luana arderem:
— Você... não vai perguntar para que eu preciso?
O secretário entregou pastas para assinatura. Sebastião as assinou de forma letal e o secretário saiu.
Ele parou o trabalho, esfregou o espaço entre as sobrancelhas e encostou-se na cadeira. Sua voz rouca era aveludada, mas irrevogável:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...