POV/ DOM
Saí do quarto arrastando o corpo de Connor pelo pé, o som do crânio dele batendo nos degraus e o rastro de sangue grosso sujando o tapete persa caríssimo do corredor. Joguei o "pacote" nos braços de Lorenzo, que esperava do lado de fora com uma expressão de quem carregava o mundo nas costas, e encarei o segurança que deveria estar vigiando a porta. O infeliz estava pálido, os olhos fixos no cadáver fresco aos seus pés.
— Leve isso para o porão — ordenei para Lorenzo, sem tirar os olhos do guarda trêmulo. — E avise ao resto desses animais que eu vou dar uma aula prática de anatomia se não aprenderem o significado de "propriedade privada". Se um deles sequer respirar perto da fechadura dela de novo, eu corto a garganta de todos na frente do grupo para ver quem tem o sangue mais brilhante.
O segurança tremia tanto que o suor escorria pela testa, pingando sobre o que sobrara de Connor.
— Tire esse peso morto daqui — soltei uma gargalhada curta, achando uma graça genuína na literalidade da cena. — Entendeu? Peso morto! Porque ele morreu... e é pesado. Qual é, cadê o senso de humor de vocês?
Minha risada ecoou pelo corredor frio e vazio, mas ninguém se atreveu a me acompanhar. O silêncio deles era o melhor aplauso que eu poderia receber: o reconhecimento do medo absoluto.
— Vá se trocar, Dominic — Lorenzo mandou, apontando com o queixo para a mancha de sangue que decorava minha camisa. — Você parece um açougueiro que perdeu o controle.
Apenas acenei e fui até o meu quarto. Troquei a camiseta, sentindo a adrenalina ainda eletrizando meus músculos. Vinte minutos depois, eu estava de volta à porta dela. Entrei sem bater por que bateria na minha própria casa? e a encontrei sentada na cama, devorando o pão que eu deixara.
— O que você quer de mim? — ela perguntou, a voz firme apesar de tudo, os olhos verdes me rastreando como um radar.
— De você, por enquanto? Nada que você não possa me dar contra sua vontade — respondi, aproximando-me com passos lentos e medidos. — Mas não se sinta especial, principessa. Eu vou machucar você até você esquecer como se soletra o próprio nome, mas isso não é pessoal. É sobre o que o seu pai fez com a minha família.

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