POV/ DOMINIC
Alessia apenas gemia baixo, sons roucos e parados que preenchiam o silêncio do quarto enquanto eu a comia com uma fome que parecia não ter fim. O som da nossa pele colidindo era a única música daquela execução. Eu via o cabelo prateado espalhado, os ombros trêmulos, e a bile voltava a subir na minha garganta. Eu a amava, e estava tratando-a como carne qualquer.
Merda!
O prazer atingiu o ponto de não retorno. Dei um último tapa na bunda dela, um estalo seco que ecoou nas paredes e deixou a marca da minha palma gravada ali, um aviso eterno para qualquer homem que ousasse tocá-la depois de mim. Retirei meu membro no último segundo e gozei sobre as costas dela, sobre as nádegas marcadas, o líquido quente escorrendo pela pele que eu tanto idolatrava e que agora eu estava abandonando ao destino.
Fiquei parado por um longo minuto, sentado nos calcanhares, observando o estrago. Eu estava ofegante, o suor escorrendo pelos meus músculos, sentindo o peso do crime que acabara de cometer. Meu corpo ainda estava em chamas, meu pau latejava, duro e inútil agora, enquanto o sangue esfriava. Fiquei ali, parado entre as pernas dela, olhando para o sangue e para o sêmen que manchavam aquela pele alva.
Limpei meu pau com a minha camisa que estava jogado no chão, um movimento mecânico de quem limpa a arma após um crime de sangue. Vesti minha cueca e minha calça. Alessia estava deitada, imóvel, o rosto escondido nos braços. Então, o som veio. Ela estava rindo. Um riso quebrado, carregado de um veneno que me fez sentir o homem mais insignificante do mundo.
Peguei o lenço de linho na cabeceira para limpá-la, mas Alessia se moveu com uma rapidez súbita, como se o meu toque a queimasse.
— Não — ela sibilou, a voz saindo como uma navalha.
Ela tentou se levantar e eu vi a dificuldade. O corpo dela tremia, as coxas brancas estavam bambas depois de tantos orgasmos seguidos, mas a fúria nos olhos verdes era o que a mantinha de pé.
— Você está bem? — a pergunta saiu da minha boca antes que eu pudesse contê-la, a preocupação rasgando a minha máscara de monstro.
— Não encosta em mim — ela sibilou, virando-se para me encarar. Os olhos verdes estavam em chamas, refletindo todo o ódio que eu ajudei a construir. — Só um covarde. Nem para me machucar você serve, Dominic.

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