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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 109

POV: ALESSIA LOMBARDI

Três dias. Três dias trancada entre quatro paredes, vivendo do cheiro dele que se recusava a sair das cobertas e do silêncio ensurdecedor do corredor. O Canário não apareceu para os treinos e o Cassian veio todos os dias, me trazendo sorvete e um pouco de sanidade. Eu estava com fome. Uma fome real. Neguei o jantar por puro orgulho, mas agora, às cinco da manhã, a biologia vencia a teimosia; já dava para ouvir meu estômago roncar como um bicho enjaulado.

Levantei-me, tomei um banho rápido para espantar o torpor e esperei o amanhecer terminar de pintar o céu. Após me vestir e pentear os cabelos, fui até a porta, esperando encontrar a tranca batida como sempre. Mas, para minha surpresa, a maçaneta girou com um clique suave.

Abri a porta com cautela e quase morri do coração. O Dominic estava ali. Parado. Como uma estátua de mármore esculpida na entrada do meu inferno pessoal. O susto foi mútuo; vi o brilho bicolore dos olhos dele oscilar por um milésimo de segundo antes da máscara de gelo voltar ao lugar.

— Estava indo ao banheiro — ele mentiu, descaradamente. O banheiro ficava exatamente na direção oposta, o que tornava a cena quase cômica, se ele não fosse um sociopata armado.

Soltei um riso seco, cruzando os braços sobre o peito e aproveitando o constrangimento que pairou no ar.

— Quer entrar? — provoquei.

— Você quer que eu entre? — Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. O cheiro de uísque, sabonete caro e poder me atingiu em cheio, fazendo minhas pernas ameaçarem fraquejar.

— Você quer falar alguma coisa, Dominic? Então fala de uma vez.

Ele me encarou por um tempo que pareceu uma eternidade antes de abrir a boca. A tensão era tão palpável que eu podia jurar que o ar estava soltando faíscas.

— Eu já avisei ao seu pai. O acordo está selado. Você vai ser devolvida no dia 17 de outubro.

O número 17 bateu no meu peito como uma sentença de morte. Era sério. Ele me devolveria em menos de duas semanas. Engoli em seco, mantendo o queixo erguido para não deixar o desespero vazar pelos olhos.

— E o que isso muda agora?

— Muda que, tecnicamente, você não é mais minha prisioneira. É uma convidada.

— Uma convidada? — Debochei, soltando uma risada curta. — E o que isso quer dizer exatamente? Vou ganhar um chocolate no travesseiro?

— Quer dizer que, como convidada, você tem uma liberdade maior. A porta do quarto não ficará mais trancada. Acho que você entende que não consegue fugir daqui sem um helicóptero, então não preciso de chaves.

— E...? — Eu não via mudança nenhuma, além da humilhação de ser "hospedada" pelo meu sequestrador.

— Você vai me acompanhar. Tenho assuntos a resolver no Brasil e você vai comigo.

Eu ri. Uma risada sem humor que ecoou pelo corredor vazio, beirando o histerismo.

— Que tipo de convite é esse? Você não devia me perguntar se eu quero ir?

— Eu deduzi que você preferiria cruzar o oceano e ver o calor do Brasil a continuar mofando aqui dentro como um móvel velho. Estava errado?

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