POV/ ALESSIA
Levantei-me de um salto, fugindo do toque dele antes que eu perdesse o que restava da minha sanidade.
— Vou pegar um ar — anunciei, a voz saindo falha, quase um sussurro.
Saí para a varanda externa. O frio da madrugada bateu no meu rosto, mas não foi o suficiente para esfriar o que queimava por baixo da minha pele. Apoiei as mãos no parapeito de metal frio e encarei a estrada escura. Eu senti os passos dele antes mesmo de ouvir o som das botas no concreto.
Ele parou ao meu lado, mas não encostou. Ficamos ali, dois estranhos a milímetros de distância, fingindo que a imensidão da noite era mais interessante do que o que estava acontecendo entre nós.
— Por que você faz isso? — perguntei, a voz saindo mais baixa do que eu planejava, vulnerável.
— Isso o quê? — Dominic não desviou o olhar do horizonte sombrio.
— Age como se aquela noite não tivesse acontecido. Como se você não tivesse me marcado de todas as formas possíveis para depois me jogar em um avião e me devolver para o meu carrasco.
Dominic finalmente se virou. O neon azul do motel batia no lado âmbar do seu olho, deixando-o com um aspecto predatório e sobrenatural. Ele deu um passo, invadindo meu espaço até que minhas costas batessem na parede fria do corredor.
— Você acha que eu esqueci? — ele rosnou, aproximando o rosto do meu pescoço. Senti o hálito dele, o cheiro de uísque e perigo iminente. — Eu sinto o seu cheiro em cada centímetro dessa porra de quarto, Alessia. Eu fecho os olhos e ainda sinto você se contraindo ao redor do meu pau. Eu bebo a porra do meu uísque, mas o único gosto que eu realmente quero sentir é o da sua boceta.
Minha respiração falhou. Minhas mãos, por puro instinto de sobrevivência ou desejo, buscaram o peito dele, sentindo o músculo rígido e o coração latejar forte sob a camisa preta.
— Então por que me manda embora? — sussurrei, meus lábios quase roçando nos dele, implorando por uma mentira que me fizesse ficar.
— Porque eu sou um monstro, Alessia. E monstros não ficam com o que querem. Eles destroem.
Meu cérebro não conseguiu processar nada; o impacto, o significado daquelas palavras. Antes de qualquer raciocínio ou conclusão. Senti as mãos dele agirem com a velocidade de um bote: uma subiu para a minha nuca, enterrando os dedos entre os fios de cabelo, e a outra pelas minhas costas com uma firmeza que me deixou sem ar. Me apertou contra sí e simplesmente me beijou.
Foi um beijo bruto, um choque de dentes contra dentes que arrancou um gemido surpreso da minha garganta. O gosto do uísque era forte, misturado a uma urgência que me assustou. Em um reflexo de defesa, eu o empurrei com força contra o peito, os pulmões ardendo. Ele se afastou, o olhar âmbar brilhando como fogo sob a luz neon.
— Não! Chega disso! — eu disse, balançando a cabeça, tentando organizar os pensamentos que giravam como um furacão. Dei alguns passos vacilantes pela rampa da varanda; eu precisava de distância, de oxigênio, de qualquer coisa que não fosse o magnetismo dele.

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