POV/ ALESSIA
— Na cama — ele rosnou contra a minha pele, o hálito quente queimando meu pescoço enquanto tentava me levar para o colchão.
— Não — eu o segurei pelos ombros, cravando minhas unhas com força na pele dele, puxando-o de volta para o embate. — Me come aqui. Desse jeito.
Eu não queria carinho. Se ele ia me jogar fora em poucos dias. Queria que o toque dele fosse tão pesado que eu não conseguisse associar aquilo ao prazer comum, apenas à posse absoluta. Queria que fosse desconfortável, que doesse um pouco, para que o ódio fosse mais fácil de cultivar quando ele finalmente fosse embora da minha vida.
Mas, no fundo, eu tinha dúvidas cruéis sobre isso, porque a verdade é que eu só conseguia querer mais e mais dele.
Ele mordeu o lóbulo da minha orelha com uma força que me fez estremecer e desceu para o meu pescoço, deixando outro chupão marcado, uma mancha escura que gritava para o mundo quem era o meu dono sobre a minha pele branca e translúcida. Com uma impaciência selvagem, ele me colocou sentada em cima da cômoda, saindo de mim por apenas um segundo retirou a calça e a cueca ficando completamente nú e logo em seguida entrar de uma vez, com tudo.
Eu soltei um gemido agudo no ouvido dele, um som visceral de entrega que eu nunca soube que era capaz de emitir.
Ele voltou a estocar com uma fúria cega, sem ritmo, sem paciência, como um soldado querendo conquistar cada centímetro de um território inimigo. O som dos nossos corpos batendo um contra o outro era a nossa única confissão de que éramos viciados naquele pecado.
Enterrei minhas unhas nos ombros dele, sentindo os músculos das suas costas travados como pedra. Se ele ia me marcar, eu também deixaria minhas marcas nele.
Dominic pegou a minha perna direita, colocou-a por cima do ombro dele e me puxou para a beirada do móvel, indo cada vez mais fundo, atingindo o fundo do meu útero. Fiquei desajeitada em cima da cômoda, com a cabeça encostada na parede e a mão dele apertando meu peito direito com tanta força que causava um misto agonizante de dor e prazer.
A outra mão dele saiu da minha cintura e subiu para o meu pescoço, fechando-se ali. Ele apertou. Comecei a ficar sem ar, o mundo girando, e olhei fixamente dentro dos olhos dele. Ouvindo seus gemidos roucos, pude ver algo que ele nunca diria em voz alta: além do tesão havia uma tristeza profunda em seu olhar. Ficamos conectados assim, naquele vácuo e excesso de sentimento, até que senti o jato quente me inundar com força.
Ele gemeu alto, um som de derrota e alívio, mas não me soltou. Continuou metendo forte em mim, mesmo depois de gozar. Coloquei minha mão por cima da dele no meu pescoço, e só então ele soltou o aperto.
Dominic me puxou para ele, me envolvendo em um abraço esmagador, escondendo o rosto no meu pescoço. Eu conseguia ouvir a respiração dele, pesada e descompassada, contra a minha pele. Foi o abraço mais gostoso, mais real e mais doloroso de toda a minha vida. Ali, no silêncio que se seguiu, eu soube que estávamos ambos irremediavelmente quebrados.
Após recuperar o fôlego tentei me afastar, buscar um pouco de ar e de realidade, mas o braço do Dominic continuou me prendendo contra ele.
Ficamos assim por alguns minutos só respirando e ouvindo nossos corações desacelerar.
Ele me pegou no colo, e por mais que eu tenha tentado descer, ele não permitiu. Dominic me carregou para o banheiro em um silêncio que parecia ser mais barulhento do que qualquer discussão que já tivemos.
Ele ligou o chuveiro e me manteve ali, aninhada em seu peito enquanto a água começava a esquentar. Eu conseguia ouvir seu coração batendo contra meus seios, em um ritmo frenético, descompassado que não desacelerava mesmo depois de minutos ... talvez, só talvez, ele se sentisse tão estraçalhado quanto eu me sentia.
Esse pensamento me envolveu de um jeito perigoso me fazendo dar um beijo casto em sua testa, sentindo a pele dele quente contra os meus lábios.
Ele não queria falar nada, então eu também não disse. Dominic me pôs no chão e, com uma delicadeza que me assustava mais do que sua fúria, beijou minha testa demoradamente e depois selou meus labios
Me virou de costas, prendeu meu cabelo em um nó frouxo para que a água não molhasse os fios, e começou a me lavar em silêncio absoluto. Usou o sabonete líquido, passou pelas minhas costas, braços e depois limpou o meio das minhas pernas.
A água caía sobre nós, levando o suor, o fluido e o resto da nossa loucura física, mas nada ali era capaz de lavar a marca profunda que ele tinha acabado de deixar na minha alma.
Após alguns minutos após ele se lavar também. Nós saímos do banheiro e ele me estendeu uma toalha e eu a envolvi no meu corpo trêmulo, sentindo cada músculo dolorido e maravilhosamente marcado.
Dominic se enxugou logo em seguida, e vi sua expressão voltar àquela impassibilidade de pedra, como se estivesse vestindo uma armadura para esconder o homem que tinha acabado de me abraçar. Ele pegou uma cueca na gaveta, vestiu-se e jogou uma de suas camisetas pretas para mim. Acenei positivamente, vestindo o tecido que tinha o cheiro dele, e caminhei em direção à porta para voltar ao meu quarto.

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