( Um cap. maior para vocês E PRESTE ATENÇÃO NO RECADO NO FIM)
(EU TROQUEI DE REVISOR ENTÃO O CAP. PODE TER ERRROS) OK
POV: ALESSIA LOMBARDI
Eu chorei até que meus olhos queimassem e meus pulmões implorassem por misericórdia. O cansaço físico da humilhação acabou vencendo a agonia, e eu apaguei de bruços na cama, afundada no escuro protetor do meu quarto.
Acordei com um sobressalto, o coração batendo pesado contra as minhas costelas. Havia um barulho na fechadura. O som metálico de alguém forçando a maçaneta, raspando a chave contra a madeira como se estivesse tendo dificuldades para acertar o buraco. Sentei-me na cama num reflexo rápido, os fios de cabelo grudados na minha testa suada. A janela estava escancarada, e o vento frio da noite siciliana entrava, movendo a cortina e deixando o quarto mergulhado em uma penumbra cinzenta.
A porta finalmente cedeu, abrindo-se com um estrondo abafado.
Uma silhueta enorme e pesada cruzou o batente. A figura cambaleou para o lado, esbarrando o ombro com força contra a parede antes de conseguir dar o próximo passo. O pânico inicial recuou, dando lugar a um aperto esquisito no meu peito assim que notei os ombros largos e a postura imponente, agora totalmente desajeitada.
Era o Dominic.
— Você não tem um pingo de educação para entrar no quarto de alguém a uma hora dessas, não? — disparei, tentando manter a voz firme, mas o tom saiu trêmulo, denunciando o meu susto.
Ele não respondeu. Continuou avançando pelo quarto escuro com passos lentos e incertos. Levantei-me da cama e caminhei na direção dele, disposta a empurrá-lo para fora, mas parei a dois passos de distância quando o cheiro me atingiu. Ele exalava cheiro de alcool. Muito alcool.
— Não era desse jeito... — Dominic soltou. A voz dele saiu arrastada, grossa, as palavras se atropelando na língua como se ele estivesse fazendo um esmero monumental para mantê-las em linha reta.
— Do que você está falando, Dominic? — perguntei, franzindo a testa, tentando decifrar o semblante dele na penumbra.
Ele tentou dar mais um passo, mas o pé esquerdo prendeu no tapete. O corpo dele pendeu para o lado e ele atingiu a quina da cômoda de madeira com o quadril antes de desabar de joelhos e, logo em seguida, sentar de mau jeito no chão de cimento. O copo que ele trazia na mão, já vazio, rolou pelo piso até bater no meu chinelo.
— Dominic! — Corri até ele, esquecendo o ódio e a mágoa por um segundo, caindo de joelhos ao seu lado. — Dominic, levanta! O que é isso?
Coloquei as mãos nos ombros dele, sentindo os músculos rígidos por baixo da camisa amassada. Ele estava completamente bêbado. Eu nunca o tinha visto daquele jeito.
— Você bebeu? — perguntei, chocada, fitando o rosto dele que parecia mais jovem e vulnerável sem a máscara de Capo.
— Só um pouquinho... — ele balbuciou, erguendo a mano esquerda e juntando os dedos indicador e polegar, os olhos castanhos tentando focar nos meus, mas falhando miseravelmente. Ele soltou um riso curto e soprado, um som totalmente desprovido de alegria. — Eu não bebo muitoo, muito principessa. Você sabe. Eu preciso... eu preciso manter a cabeça limpa. Mas hoje... hoje eu conversei com o seu pai.
Meu coração despencou no estômago. O ar faltou.
— O Leopoldo? — Minha voz sumiu em um sussurro.
— Ele vem te buscar — Dominic despejou as palavras com a língua pesada, a cabeça pendendo ligeiramente para trás até encostar na madeira da cômoda. — Depois do pré Conclave. Ele vem te buscar.
Uma queimação dolorosa voltou a subir pelo meu peito, a humilhação do escritório estalando na minha mente.
— E você bebeu para comemorar, não foi? — ironizei, sentindo as lágrimas morderem os cantos dos meus olhos novamente. — Bebeu para celebrar que finalmente vai se livrar do seu troféu usado?
Dominic moveu a mão com um solavanco desajeitado. Ele ergueu os dedos calejados e os colou no meu rosto. O toque foi bruto, pesado, a palma da mão dele apertando a minha bochecha com força excessiva porque ele simplesmente não conseguia controlar a própria coordenação motora. Mas, apesar da bruteza, havia uma urgência desesperada na forma como ele segurou a minha pele.
— Você sabe que não é por isso, Alessia... — ele sibilou, os dentes travados, o hálito quente de álcool batendo contra o meu nariz. — É pelo contrário. Você sabe.
— Pelo contrário? O que você quer dizer com isso? — perguntei, segurando o pulso dele, tentando afastar a mão pesada, mas ele não cedeu.
— Eu tenho... eu tenho o controle — ele continuou, falando de um jeito enrolado, os olhos vidrados nos meus. — Eu controlo essa casa. Eu controlo os soldados. Eu controlo a minha vida. Se eu começar a falar... se eu colocar para fora o que eu tenho aqui... — ele bateu com a mão livre contra o próprio peito, na altura do coração, um impacto seco que ecoou no quarto. — É como se eu estivesse perdendo o controle de tudo. E eu não posso perder. Eu sou o Capo, Alessia. Eu não posso quebrar.

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