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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 17

POV: ALESSIA LOMBARDI

Duas semanas. Quatorze dias trancada entre quatro paredes brancas que pareciam gritar o meu nome, devolvendo apenas o eco da minha própria respiração curta. Dominic foi meticuloso e cruel: retirou todos os espelhos para que eu não visse o estrago que fiz em mim mesma, sumiu com os pentes e não me permitia tocar em nada que tivesse o mínimo de ponta. Ele transformou o quarto em uma cela lisa e estéril, apenas para garantir que eu não "roubasse" dele o prazer de me destruir aos poucos. Tentei manter minha disciplina, mas meu corpo me traiu. Cada vez que eu tentava um abdominal, a pele do meu pescoço repuxava, ameaçando abrir os pontos que o médico do Ferraro cravou na minha carne. A dor era uma fisgada quente e constante, um lembrete pulsante de que eu quase escapei dessa tortura para sempre... e falhei. Agora, restava apenas o silêncio e as lembranças. Quando eu fechava os olhos, via o rosto do meu pai na tela, envelhecido e em pânico. Aquela imagem estilhaçava a ideia do herói invencível que eu criei na infância.

Lorenzo era o único que rompia o meu vazio. Ele vinha duas vezes por dia para trocar o curativo. Suas mãos eram firmes, mas o olhar era sempre baixo, evitando o meu.

— Como você pode compactuar com as ações de um monstro? — perguntei em um sussurro, sentindo o cheiro de antisséptico invadir minhas narinas.

— Você não entende, Alessia — ele respondeu, finalmente me encarando com aquela neutralidade assustadora. — O Dom se tornou o monstro para que eu e o Cassian não precisássemos ser.

— O menino do outro dia... Cassian. Ele é seu irmão? — tentei buscar uma conexão, qualquer fio de humanidade naquela casa.

Mas Lorenzo disparou, a voz subindo um tom em aviso:

— Esqueça que viu o garoto. Ele não tem nada a ver com isso.

Com o ferimento começando a fechar, o médico recomendou repouso absoluto. Minha única forma de comunicação com o mundo eram os livros que me traziam. Perguntei por Dominic, e Lorenzo disse apenas que ele estava em missão, mas que voltaria em breve

***

Na oitava noite, a porta se abriu e Dominic entrou. Ele parecia ter voltado de um moedor de carne: roupas rasgadas, fuligem e hematomas que sugeriam que ele estivera em uma guerra pessoal lá fora. Fiquei imóvel no vão da janela, observando-o em silêncio. Eu já estava desistindo de tentar entender o que se passava naquela mente distorcida; minha única prioridade era manter o que restava da minha sanidade.

— Vou usar o seu banheiro — ele anunciou, a voz rouca, sem sequer olhar na minha direção. — Lá embaixo está um inferno e eu quero paz.

O pânico subiu pela minha garganta, mas o choque foi maior quando ele começou a se despir ali mesmo, sem a menor hesitação. Primeiro a camisa, revelando o peito largo marcado por cicatrizes que contavam histórias de uma violência que eu mal conseguia imaginar. Depois a calça, os sapatos e, por fim, a cueca.

Fechei os olhos e cobri o rosto com as mãos para não o ver completamente, mas meus dedos me traíram, abrindo-se em frestas involuntárias.

Quando ele se virou e caminhou em direção ao banheiro, eu vi: o Tridente de Ferro tatuado em suas costas, subindo pela espinha como uma armadura de tinta negra. Meu corpo, traidor e confuso, reagiu com um calor desconfortável que me deu náuseas. Ele era abominável, mas era uma aberração magnífica. Os músculos das costas eram definidos, cada movimento revelando o poder bruto que ele carregava nos braços e ombros.

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