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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 187

POV: ALESSIA LOMBARDI

Entrei no banheiro, liguei a torneira e deixei a água quente da banheira subir até o limite, tentando focar apenas no som do vapor que embaçava os vidros. Despi-me, entrei na água e esfreguei a minha pele com força, querendo arrancar o rastro invisível das garras do Dominic, mas o calor só fazia o meu corpo lembrar do toque e do calor dele.

Saí, vesti a primeira roupa limpa que encontrei e encarei o prato de comida que tinham deixado para mim. Dei duas garfadas forçadas. O estômago revirou instantaneamente, recusando qualquer alimento. Desisti.

Caminhei até a cama de casal e me deitei, puxando os lençóis até o queixo, disposta a apagar e esquecer que eu ainda respirava. Mas o sono não veio. Era impossível dormir. Cada vez que eu fechava os olhos, a minha mente voltava para o mesmo ponto geométrico do quarto. Virei o corpo para o lado, tentando ignorar, mas o meu olhar era atraído como um ímã para o criado-mudo de madeira escura.

Ali, estático sob a luz fraca do abajur, estava o papel dobrado que o Jonas tinha me entregado.

O medo do que estava escrito naquelas linhas era um peso físico que esmagava o meu peito. Aguentei duas horas de tortura psicológica, encarando o vazio, até que a curiosidade e o desespero venceram o meu orgulho. Sentei-me no colchão, estiquei os dedos trêmulos e peguei o bilhete. Respirei fundo, forçando o ar a entrar na minha garganta seca, e desvelei as dobras. Para o meu choque, não era um bilhete rápido. Eram duas folhas de papel, escritas de um lado e do outro, preenchidas por uma caligrafia firme, imponente e cortante.

Fechei os olhos por um segundo, juntei o resto de coragem que habitava na minha casca vazia e comecei a ler:

Alessia,

Eu fico olhando para este pedaço de papel branco e, pela primeira vez na porra da minha vida, eu não sei como começar. Eu não sei o que pensar e muito menos o que te falar. Eu passei a vida inteira acreditando que existiam apenas duas espécies de pessoas neste mundo: aquelas que machucam e aquelas que aprendem cedo demais a suportar a dor.

Eu nasci para ser a primeira. Você nasceu condenada a encontrar alguém como eu.

Eu também confesso que fiquei curioso. Curioso para saber que tipo de palavras você escreveu para mim naquela carta. Na penúltima noite que dormimos juntos, naquele dia em que eu sonhei com você antes de eu sair para o pré-Conclave, eu acordei cedo e revistei os seus pertences até encontrá-la. Eu li, Alessia. Li cada linha escrita com a sua caligrafia perfeita e delicada. Naquelas páginas, você disse que me amava.

E a verdade é que eu não consigo entender porra nenhuma desse sentimento. Eu sou incapaz de processar isso. Tudo o que eu conheço desde os meus doze anos é a raiva, a tristeza, o ódio, a opressão e a dor; todos os meus sentimentos se resumem a esses pilares.

Subitamente, como tudo o que existia de bom em mim eu acabei enterrando em você, você se tornou a melhor coisa da minha vida. A única luz no meu mundo escuro, o fim do meu mal infinito. Você virou a minha força de gravidade. Eu não sabia o que conversar com você, não sabia o que te contar quando te tinha na minha frente.

Então, acho melhor eu começar do começo. Do início de tudo, que a sua mente provavelmente esqueceu.

Quando você nasceu, eu tinha exatamente cinco anos. Eu fui uma das primeiras pessoas a segurar você no colo em Palermo. Você era um pedaço minúsculo de carne com fios prateados, tão pequenininha que parecia que ia quebrar, mas ao mesmo tempo parecia imensa quando estava nos meus braços. Eu tive que ficar sentado no sofá para que me deixassem te segurar. Naquele momento, os seus dedinhos apertaram o meu dedão, você olhou para mim com os olhos perdidos e chorou, mesmo com a boca aberta. Você era a criança mais deslumbrante que eu já tinha visto.

A minha mãe estava do lado, eu perguntei a ela por que você tinha cabelos de velha. Ela sorriu e me disse que você não era velha, que você era especial assim como eu era especial. E ela me falou que um especial tinha o dever de cuidar do outro, e que toda princesa precisava de um cavalheiro.

Naquele dia, na minha mente de cinco anos, eu decidi que seria o seu cavalheiro e que ia te proteger de tudo. Talvez você não saiba, talvez o desgraçado do seu pai nunca tenha tido a decência de te contar, mas o meu pai, o Capo, me disse claramente que um Ferraro tinha que se casar com a princesa mais linda que existia. Eu olhei para você e decidi que você seria minha. Desde aquele instante, mesmo sem entender porra nenhuma de sentimentos por causa da minha condição clínica, eu coloquei na cabeça que você me pertencia, que seria minha e que tinha que ser minha de qualquer jeito.

E nós crescemos juntos por um tempo. Você era uma menininha absurdamente chorona, que ficava brava e emburrada por qualquer bobagem. Eu lembro de uma vez em que fomos brincar de cavalinho no jardim; eu acabei caindo, me machuquei feio e você começou a berrar, chorando desesperada porque não queria me ver sangrar. Eu tive que te abraçar, mesmo sentindo dor, e ficar sussurrando que estava tudo bem só para você parar de soluçar.

E tem mais uma coisa que você não sabe: a primeira palavra que você falou na sua vida foi "DO". Você não conseguia falar meu nome, então passava o dia me chamando de "Dodo" para cima e para baixo.

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