⚠️ RECADO IMPORTANTE DA AUTORA: ATIVEM! MODO SHERLOCK HOLMES🕵️♀️🔍💥
Uma Maratona para vocês prestem atenção nos detalhes, nas pessoas e informações.
( Feliz Feriado)
A partir deste capítulo, nós vamos acompanhar a história diretamente pelo ponto de vista da Alessia Lombardi.
Este é o momento de entendermos o retorno dela para a casa da família, como ela cresceu, como viveu e quem ela realmente é nos bastidores. Vamos descobrir o que a moldou para se tornar essa garota forte e resiliente que nós conhecemos hoje.
Ativem o modo detetive e prestem muita atenção tem pistas cruciais escondidas no ar.
Boa leitura e comentem as teorias de vocês! 💬🩸🖤👠👑
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POV: ALESSIA LOMBARDI
A luz pálida da manhã cortou a janela da fazenda e atingiu meus olhos como uma lâmina. Acordei com uma enxaqueca brutal, com a lateral do rosto prensada contra o chão frio de madeira. Meu corpo inteiro protestou quando tentei me mexer. Minhas costelas doíam, as pernas pesavam e a exaustão de uma noite inteira de colapso psicológico cobrava o preço.
Rolei para o lado, sentindo o estômago revirar. Próximo aos meus dedos, as duas folhas de papel almaço escritas por Dominic Ferraro permaneciam estendidas.
Levantei-me devagar, escorando o peso nos joelhos. Peguei o papel com extremo cuidado, sentindo o relevo da tinta preta sob as digitais. Caminhei até o banheiro, liguei o chuveiro no gelado e deixei a água castigar meus ombros até o tremor parar. Eu precisava limpar o suor, o cheiro do medo e o gosto amargo do Bourbon.
Saí do banho, sequei-me rápido e peguei uma caixa de sapatos vazia no fundo do armário. Dobrei a carta do Dominic milimetricamente, depositei-a lá dentro e empurrei a caixa para o ponto mais escuro debaixo da cama. Ninguém do império Lombardi poderia sonhar com a existência daquelas linhas.
Parei diante do espelho acima da pia e encarei o meu reflexo. Rosto pálido. Olhos verdes ainda vermelhos pelo pranto oculto. Prendi meu cabelo prateado em um coque firme no topo da cabeça, deixando a franja irregular cobrir parte da testa. Respirei fundo.
Chega.
Chega de fazer papel de coitada. Eu não ia fraquejar diante da minha família. Se Dominic Ferraro escreveu que eu era uma mulher foda que não abaixava a cabeça, eu ia honrar a porra da coroa que ele disse que eu carregava. O problema era que cada engrenagem da minha mente agora parecia girar em torno dele. Eu pensava como ele, agia sob o reflexo do que ele me ensinou, e perceber que ele ditava o ritmo das minhas escolhas era ao mesmo tempo lindo e assustador. Isso me deixava insegura, vulnerável de um jeito que eu odiava. Mas eu precisava manter o controle e garantir minha segurança.
Desci as escadas de madeira rústica arrastando os pés. O cheiro de café fresco invadia o corredor. Jonas estava de pé perto do balcão, a postura militar impecável e os olhos escuros monitorando a entrada.
— Obrigada, Jonas — eu disse, a voz saindo seca. — Pela entrega de ontem.
O guarda girou o corpo devagar, mantendo as mãos cruzadas atrás das costas.
— Foi ele quem mandou? — perguntei, aproximando-me.
— O Capo ordenou que eu entregasse diretamente à senhorita — Jonas respondeu, a voz plana, desprovida de qualquer emoção. — Minha função aqui é garantir sua integridade e mantê-lo informado sobre o seu estado.
— Ótimo. Então avise ao seu chefe que eu estou bem. Diga para ele não se preocupar.
Jonas fixou o olhar no meu por um segundo longo, gravando o recado.
— Vou passar a mensagem, senhorita — ele assentiu secamente.
Virei-me para a mesa quando ouvi passos rápidos vindo da despensa. Judite, a governanta que cuidou de mim desde quando eu era uma criança em Palermo, entrou carregando uma jarra de suco. Ao me ver, ela estancou. O vidro quase escorregou de suas mãos.
— Minha menina... — Judite sussurrou.
Quebrei minha postura rígida por um microssegundo. Corri até ela e a envolvi em um abraço apertado, enterrando o rosto no ombro dela. Senti o calor do corpo dela e notei, pelo aperto dos meus braços, que ela tinha emagrecido. A saudade acumulada em meses de cativeiro bateu forte no meu peito.
— O seu pai mandou eu vir para cá na madrugada, Alessia — Judite disse, afastando-se para me servir, limpando uma lágrima rápida no avental. — Ele disse que era para eu cuidar da sua alimentação. Ele quer que você recupere o brilho, que coma bem e se mantenha saudável. Ele se preocupa muito com você.


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