POV DOM
Duas semanas antes
O sol nem havia terminado de subir e o meu telefone já era um instrumento de tortura. Leopoldo Lombardi ligou doze vezes. Ele estava desesperado um som que geralmente me daria um prazer quase orgástico, mas hoje apenas me irritava.
Acordei com os fios prateados de Alessia espalhados pelo meu rosto. O calor do corpo dela contra o meu fazia meu membro pulsar, rígido e exigente sob o jeans. Eu estava excitado, e o cheiro de Shampoo que emanava dela, misturado ao odor metálico do sangue no pescoço, invadia minhas narinas de um jeito viciante. Atendi o celular apenas para silenciar o barulho.
Me levantei com cuidado para não a acordar. Ela se mexeu, soltando um suspiro baixo, mas continuou mergulhada no sono pesado dos analgésicos. Parecia um anjo... um anjo violado e marcado pela minha crueldade.
— Leopoldo? A que devo a honra da sua ligação tão cedo?
— Seu desgraçado! Cadê a minha filha? — ele berrou, a voz embargada pelo pânico.
— A bonequinha suicida está bem. Dormindo, mas não morreu. Agora, se me dá licença, tenho assuntos maiores a tratar com os verdadeiros donos da Itália antes de voltarmos ao nosso "negócio".
Desliguei sem dar tempo para resposta. Antes de sair, enviei o vídeo que Lorenzo editou. Eram imagens dela desacordada sob o efeito do sedativo. Minha mão percorria a pele que eu agora sabia ser absurdamente macia, explorando as curvas que ele tentou esconder. O detalhe final era eu cortando a franja com uma tesoura, era para dizer dessa vez foi a franja da próxima pode ser o pescoço.
A encomenda também chegaria na residência dele, um lembrete visual de que eu posso alterar e profanar cada centímetro dela enquanto ele assiste, impotente e miserável, de longe.
***
Mais tarde, o meu rádio criptografado tocou.
— Ferraro — a voz de Killian Moretti surgiu, gélida e autoritária como sempre. — O carregamento vindo da Índia entrou no nosso setor. São cerca de 32 mulheres e crianças. Carga viva. Você já sabe o que fazer.
Killian era o único homem que eu respeitava. No passado, salvei a vida da mulher dele, e esse débito de sangue era a única razão pela qual eu ainda tinha autorização para operar livremente em solo italiano. Ele era um psicopata funcional, desprovido de riso ou piedade, mas com uma conduta de ferro: ele não admitia o tráfico de mulheres em seus portos. Se ele queria aquele container interceptado, eu seria o seu braço armado.
— Estou a caminho, Moretti. Vou limpar a sujeira.

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