POV/ Dominic
O Porto de Gioia Tauro era apenas o ponto de partida. Enquanto Killian e Ethan seguiam por terra com as mulheres e crianças para as rotas de acolhimento da rede Moretti, o meu caminho era o céu. O transporte por mar levaria mais de um mês, e não tínhamos esse tempo; as armas precisavam chegar à Rússia no tempo exato para servir de distração enquanto as vítimas eram colocadas em segurança. Lorenzo ficou na Sicília para garantir que a segurança em torno de Alessia fosse impenetrável e que Cassian estivesse seguro. Eu estava no comando de uma equipe de elite dos Moretti, acompanhado por Henri, o chefe de equipe que era os olhos e ouvidos de Killian no campo.
— Mantenha o foco, Ferraro — Henri alertou enquanto subíamos as cargas nos cargueiros fretados.
Foram oito horas entre o carregamento e o desembarque, seguidas por catorze horas de trabalho ininterrupto sob o frio cortante de Moscou. A entrega era para Yuri Volkov. O acordo era uma corda bamba: Killian estava apoiando Adrian Cavallieri, que recentemente havia eliminado Azazel, o braço direito de Yuri, após o sequestro de sua mulher. Eu era o diplomata psicopata enviado para garantir que as armas compensassem a perda russa e evitassem uma guerra mundial entre famílias.
— Moretti enviou um bom e eficiente carregador — Yuri comentou, os olhos frios observando as cicatrizes em minhas mãos.
— Ele enviou um monstro que não teme a morte — respondi, sem desviar o olhar.
Acompanhei pessoalmente a conferência de cada um dos containers. Enquanto as armas eram descarregadas, minha mente monitorava o relógio na Itália. Eu só teria "carta branca" para voltar quando as mulheres estivessem seguras e o carregamento estivesse completo. Se eu saísse antes, o Conselho me acusaria de traição, e minha organização seria esmagada antes de florescer.
Somente quando o último container foi conferido, Yuri se deu por satisfeito.
— Venha jantar na minha casa como acerto de contas, Ferraro. Tenho o melhor uísque da Rússia.
Aceitei. Por causa de uma necessidade estratégica. A mansão de Volkov era uma fortaleza: guardas armados com fuzis de última geração formavam um corredor humano em cada ala. Eu não estava sozinho; Henri e os homens de elite dos Moretti me flanqueavam, com as mãos prontas nas armas enquanto observávamos a opulência russa.
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O jantar foi servido sob lustres de cristal, bebi o melhor uísque e vinhos que custavam fortunas, sentindo o álcool começar a entorpecer as bordas da minha irritação, mas nunca o meu instinto. Elizabeth Volkov, a filha de Yuri, entrou na sala de jantar.
Ela era uma visão insultuosa de perfeição: loira, com olhos azuis tão claros que pareciam feitos de vidro, e uma pele tão branca que lembrava a neve de Moscou que caía lá fora. Ela era o arquétipo da princesa que qualquer homem mataria para possuir. Yuri a apresentou com o orgulho de quem exibe um diamante raro. Eu a estudei com o meu habitual olhar clínico.

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