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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 191

POV: ALESSIA LOMBARDI

Uma semana. Sete dias arrastando os pés pelos corredores de madeira daquela fazenda isolada. Eu passava as noites em claro, com o peito subindo e descendo na penumbra, apertando as duas folhas de papel almaço contra o meu coração até que o papel ficasse ligeiramente amassado pelo calor da minha pele. Eu lia a carta do Dominic todas as noites e todas as manhãs, decorando cada linha daquela caligrafia e daquelas palavras. Era o meu único oxigênio.

Meu pai e Lucca tinham saído logo cedo para resolver assuntos na cidade que eu não conseguia entender direito. A atmosfera na casa estava pesada, o ar parecia denso demais para respirar. Quem ficou no comando da segurança foram os soldados externos da Fartalle, sob o olhar atento do meu primo Kauan.

Depois de muito insistir, implorar e berrar, consegui fazer o Kauan aceitar treinar comigo no galpão rústico de madeira perto das cocheiras. Eu precisava mover os músculos, precisava descarregar a adrenalina que estava me matando por dentro. Antes de ir para o galpão, passei pelo corredor e encontrei Jonas checando o armamento.

— Jonas, alguma notícia do Dominic? — perguntei, a voz saindo num fio.

O guarda apenas travou a mandíbula, olhando-me de soslaio.

— O Capo está bem, senhorita — ele respondeu secamente. — Mas não há mensagens.

Jonas tinha um telefone por onde apenas mandava relatórios diários para o Ferraro, mas o aparelho estava bloqueado para receber qualquer sinal externo. Ele foi totalmente revistado quando chegamos, confiscado de qualquer autonomia, mas conseguiu esconder esse aparelho em um local seguro, que não me disse.

Caminhei até o galpão e amarrei as faixas nos meus nós dos dedos. Kauan me esperava de braços cruzados, com um meio sorriso que eu conhecia bem.

— Certeza de que quer fazer isso, Princesa? — ele provocou, soltando uma risada curta e estufando o peito largo. — Não quero te machucar.

— Eu não sou mais aquela criança chorona que ficava brava se errava. Eu sou uma mulher agora.

Kauan não hesitou. Ele veio para cima com a envergadura de seus mais de um metro e oitenta, desferindo um soco de direita direto no meu rosto.

“Força no corpo, Alessia. Trava o pé no chão e nunca desvie a sua atenção do alvo.” A voz rústica do Canário ecoou na minha memória.

Dobrei os joelhos e esquivei para o lado esquerdo. Mas o Kauan era experiente. Ele antecipou o meu movimento, girou o quadril e desferiu uma rasteira rápida que atingiu em cheio a minha panturrilha. Perdi o ponto de apoio e meu corpo bateu pesado contra o chão. O impacto expulsou o ar dos meus pulmões com um baque surdo.

— Um a zero para o profissional, garota — ele riu, estendendo a mão para mim.

— Vai se foder, Kauan — soltei uma gargalhada limpa, bati na mão dele e me pus de pé num salto, limpando a poeira da calça.

Eu adorava o Kauan de um jeito diferente. Ele era filho da irmã da minha mãe, que tinha sumido misteriosamente quando ele tinha apenas sete anos. Ninguém nunca mais soube dela, ninguém na máfia se deu ao trabalho de procurá-la, então meu pai e minha mãe o adotaram de papel passado. Ele cresceu comigo. Minha relação com ele era infinitamente mais forte e honesta do que com o Lucca.

Lucca era fruto de uma traição do meu pai com uma amante, gerado apenas porque Leopoldo intermediava herdeiros para deixar o legado, já que no patriarcado uma mulher Lombardi só servia para abrir as pernas e repassar terras por contrato de casamento.

Mas com o Kauan, eu era apenas a Alessia.

Kauan avançou de novo, tentando me prender pelos braços por trás em um golpe de imobilização.

“Se o desgraçado te pegar por trás, não perca tempo tentando ser elegante. Chuta a canela, jogue a cabeça para trás e quebra o nariz dele, ou mete uma cotovelada nas costelas.” O comando agressivo do Dominic estalou no meu juízo.

Antes que Kauan fechasse o cadeado nos meus braços, desferi um chute violento para trás, cravando o calcanhar na canela dele. Ele soltou um xingamento ríspido, vacilando no apoio, e eu aproveitei o espaço para cravar o meu cotovelo esquerdo direto na lateral do pescoço dele. Kauan recuou dois passos, soltando-me completamente.

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