Entrar Via

Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 192

POV/ ALESSIA

Lucca deu um passo à frente, ajeitando o paletó com os dedos trêmulos, a frouxidão nítida na postura dele.

— Papai, pare... o negócio com as divisas do porto não deu certo, o contrato com os eslovenos travou tudo, mas a culpa não é dela — Lucca tentou intervir, a voz sumindo sob o olhar do pai.

Apertei os braços contra o corpo, tentando processar o que estava ouvindo. Que negócio? Do que eles estavam falando?

Minha bochecha latejava, o calor do impacto fazendo minha pele esticar. Toquei o canto do lábio, sentindo o gosto metálico do sangue. Eu estava em choque. Não pela humilhação de ser tratada como um objeto de troca; no patriarcado da máfia, todas as mulheres crescem sabendo que esse é o único destino possível. Eu não ligava para isso. O que estava estraçalhando a minha mente era a agressividade doentia do meu pai.

Leopoldo Lombardi nunca tinha sido um pai ruim. Ele nunca foi violentamente agressivo comigo. Ele não me deixava ter liberdades, controlava meus passos e me mantinha em uma redoma, mas o toque dele sempre tinha sido o beijo na testa. Ele nunca tinha me batido. Aqueles dois t***s desfiguraram o homem que eu conheci a vida inteira. Havia uma raiva corrosiva nele, um estresse que passava do limite dos negócios.

Ele me odiava agora? Odiava o fato de eu ter sido sequestrada? Ou será que odiava a minha impureza, por não ser mais virgem? Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que a culpa não era minha. Sabia? Ou talvez ele guardasse uma fúria maldita de si mesmo por ter falhado em me proteger? Eu não sabia. E o mistério daquela mudança me deixou extremamente desconfortável.

Kauan aproximou-se em silêncio pela penumbra e segurou meu braço com firmeza, puxando-me com cuidado para longe do meu pai. Leopoldo deu as costas com um rosnado e saiu andando em direção à mansão principal, sendo seguido por um Lucca cabisbaixo.

— Kauan... pelo amor de Deus, o que está acontecendo aqui? — sussurrei, sentindo a minha bochecha latejar e a costela doer pelo susto. — Por que meu pai está desse jeito?

Kauan olhou para os lados, checando se Jonas ou algum soldado estava por perto, e me puxou para o canto mais escuro do galpão. O semblante dele estava assustado, uma rigidez que eu nunca tinha visto no meu primo.

— Eu não sei os detalhes, Alessia, mas o seu pai anda apavorado desde que os Ferraro tomaram Palermo. Tivemos que nos esconder neste fim de mundo e ele está perdendo o controle dos aliados.

— Onde é "este fim de mundo", Kauan? — exigi, segurando a camisa dele.

— Nós estamos na Austrália — ele soltou a frase em um sopro rápido.

O chão pareceu sumir sob os meus pés. Austrália. Eu cruzei a porra do oceano inteiro dentro daquele jato enquanto estava sedada. Eu estava no outro lado do planeta, completamente isolada do mundo que eu conhecia, sem rota de fuga por terra, sem sinal, sem nada. O pânico me deixou tonta por alguns segundos.

— Ele está tendo surtos de raiva por qualquer coisa, Alessia — Kauan continuou, a voz baixa. — Tenha cuidado.

— E a minha mãe? Ele faz isso com ela também? — perguntei, sentindo um nó apertar meu peito.

— Com a sua mãe não sei... acho que não, espero que não.

Quando eu estive no cativeiro com o Dominic e com o Lorenzo... eu aprendi que eu poderia ser livre. Eles me trataram como uma oponente, respeitaram a minha inteligência e me deram armas. Perto do meu próprio pai, eu voltava a ser apenas um pedaço de carne com data de validade.

Voltei para casa com o peito esmagado por uma angústia insuportável. Jonas me observou entrar, mas não moveu um músculo. Fui direto para o quarto da minha mãe e bati na porta devagar. Entrei e a encontrei organizando algumas joias na cômoda. Ao ver meu lábio cortado e o hematoma subindo pelas minhas bochechas, os olhos dela arregalaram.

— Alessia... o seu pai fez isso? — ela sussurrou, aproximando-se com os olhos cheios de uma dor contida.

— Sim — respondi, sentando-me na cadeira de balanço. — Mãe... ele b**e em você? Ele já encostou o dedo em você? — perguntei logo, impaciente.

Minha mãe desviou o olhar instantaneamente, as mãos trêmulas guardando um colar de pérolas na caixa.

— Não... ele nunca... é não, não se preocupe, Alessia — ela respondeu, a voz saindo sem vida.

Não acreditei muito na resposta dela.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE