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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 196

POV: ALESSIA LOMBARDI

A saída definitiva daquela fazenda na Austrália começou sob o manto escuro da madrugada, mas o peso daquela despedida ficou marcado na minha alma. Eu estava dividida, estraçalhada por dentro. Uma parte de mim sentia um medo sufocante de deixar a minha mãe ali, tão fraca, frágil e indefesa nas mãos do meu pai. Mas a outra parte sabia, com uma certeza violenta, que aquela era a minha última chance. Minha última oportunidade de ver o Dominic. O Conclave estava prestes a acontecer, a Itália inteira estava querendo matar o homem que eu amava, e eu precisava estar lá. Eu precisava ir, custasse o que custasse.

Antes de pisar no corredor, encontrei o Kauan na penumbra do pátio interno. Abracei o meu primo com força, sentindo o aperto firme dele de quem também odiava nos ver naquela situação.

— Se cuida Alessia. — Kauan sussurrou perto do meu ouvido, me dando um sopro desperado de coragem antes de eu me afastar. Ele era um dos poucos aliados que eu tinha naquele confinamento.

Minha real agonia foi encontrar a minha mãe perto das malas, mexendo em alguma coisa, provavelmente checando se não tinha esquecido algo. Quando a puxei para um abraço, o corpo dela inteiro tremia contra o meu, num pranto silencioso e desesperado.

— Eu vou voltar, mãe. Eu prometo que vou voltar para te tirar daqui. — sussurrei, apertando-a com força, sentindo as mãos dela agarrarem o tecido da minha blusa como se sua vida dependesse daquilo.

A minha mãe afastou o rosto de leve, os olhos castanhos inundados de pavor, olhando desesperadamente em direção à porta do escritório, temendo algo. Nunca a vi tão assustada. Ela segurou os meus ombros e a voz dela saiu num fio sibilado, urgente e atropelado:

— Alessia, me escuta... Eu te amo mais que tudo.

— Eu sei, mãe, eu sei. Também te amo.

— Alessia, me escuta, se o rapaz Ferraro for bom com você, fique com ele. — as mãos dela tremiam de forma descontrolada. — Mas você precisa saber... você e o Lucca... vocês não são irmãos.

— O que você está falando, mãe? — pisquei, confusa, sem entender o rumo daquela frase.

— Alessia. — ela segurou meu rosto com as duas mãos e me encarou com uma intensidade dolorosa. — Preste atenção: ele não é seu pai.

— O quê? — não consegui compreender, o ar sumindo dos meus pulmões. — De quem você está falando, mãe?

— Você não é filha...

Antes que ela conseguisse pronunciar o restante da palavra, o som de passos firmes e a voz ríspida do meu pai ecoaram no início do corredor. O corpo da minha mãe travou instantaneamente. O pavor nos olhos dela foi tão nítido que o sangue sumiu do seu rosto. No calor do susto, enquanto eu me virava para disfarçar, ela usou o pretexto de me ajudar a ajeitar o zíper e empurrar a mala grande de viagem.

— Vá. Não abre isso agora. — ela conseguiu balbuciar num movimento labial rápido.

— Tá. Não vou abrir a mala agora, mãe. Obrigada por tudo. — a abracei mais uma vez, sentindo lágrimas involuntárias escorrerem pelo meu rosto. — Eu te amo, mãe.

— Eu te amo... Eu te amo... — ela sussurrou para mim repetidas vezes, até eu sumir pelo corredor, enquanto meu pai me puxava pelo braço e eu levava a mala. — Eu te amo... Eu te amo...

Deixamos o isolamento por terra, encarando horas de estrada até a cidade mais próxima. O Jonas permaneceu como a minha sombra protetora durante todo o trajeto, os olhos atentos em mim. Fomos em um carro eu, ele, meu pai, o Lucca e o motorista, e atrás vinham outros dois carros com homens do meu pai.

Durante o caminho, Leopoldo explicou o plano de forma direta. Ele iria comigo até o Brasil para garantir o desembarque e, de lá, retornaria imediatamente para a Austrália para resolver seus negócios pendentes em alguns portos. Eu seguiria viagem para a Itália junto com o Jonas, ficando sob a custódia temporária de Killian Moretti para o evento. Depois do Conclave, meu pai iria me buscar e eu ficaria com ele ou casada em algum lugar na Oceania, até ele se entender com o Dominic e fechar um acordo formal.

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