POV/ ALESSIA
— Você achou mesmo que ia sair ilesa depois de fazer o esloveno de palhaço? — ele rosnou, o rosto chegando tão perto que consegui sentir o hálito quente dele na minha bochecha.
Marcellos esticou as mãos segurando os meus dois braços com uma força brutal, prensando o meu corpo contra o muro de pedra. Tentei puxar os braços, mas ele usou o peso massivo dele para me imobilizar, a respiração ficando audível e ruidosa. Antes que eu pudesse desviar, ele segurou meu maxilar, passou a língua de forma asquerosa pelo meu pescoço e sussurrou:
— Eu sempre quis provar o seu gosto...
Em um movimento rápido, ele enfiou a língua de forma violenta dentro da minha boca. O nojo subiu pela minha garganta. Usei toda a minha força e mordi a língua dele com força, sentindo o gosto metálico de sangue invadir os meus lábios. Marcellos soltou um urro de dor, mas em vez de se afastar, o ódio deformou a cara dele. Ergui a mão livre para tentar bater na cara dele, mas ele bloqueou o movimento no ar.
Com um empurrão bruto, ele me jogou direto no chão de cascalho do pátio. O impacto nas minhas costas arrancou o meu ar. Antes que eu pudesse tentar rolar para o lado, Marcellos desabou por cima de mim, cravando o joelho pesado direto contra a minha barriga, esmagando o meu corpo contra o solo. Uma dor aguda me fez arquear, e ele usou as mãos para apertar o meu peito de forma agressiva por cima da minha calça legging preta.
— Me solta! Me solta, seu desgraçado! Para com isso, você está me machucando! — gritei, desesperada, tentando empurrar os ombros gigantescos dele, enquanto minhas unhas arranhavam os braços dele em vão.
— Cale a boca! Eu tenho uma proposta para você, garota — ele rosnou, prendendo os meus pulsos contra o chão, bufando de ódio. — Se você acha que ficar com o seu pai é melhor do que se casar comigo, você está muito errada! O destino que te espera com o Leopoldo é terrível. Vai fazer você se arrepender pelo resto da sua vida miserável. Você pode não sentir medo agora, mas vai chorar lágrimas de sangue.
— Do que você está falando? Que inferno você está falando?! — perguntei com a voz embargada, sentindo o pânico real tentar paralisar os meus músculos.
— Seu pai não é o homem bonzinho que você pensa que é, Alessia. Você acha mesmo que o Leopoldo está preocupado com a sua segurança? Ele não dá a mínima para você. Aquele velho só pensa em uma coisa: dinheiro e poder. .
— Quem você pensa que é para falar do meu pai ou de qualquer coisa?! — gritei de volta, tentando chutar as pernas dele.
— Deixa eu te comer de uma vez, Alessia — ele sussurrou com um nojo espesso, ignorando as minhas palavras. A mão dele desceu de forma agressiva, rasgando o tecido da minha blusa de leve na cintura e tentando enfiar os dedos por dentro da minha calça legging, buscando a minha calcinha. — Já que você foi aberta por aquele Ferraro imundo e já não é mais virgem, não precisa continuar se fazendo de difícil. Não faz diferença. Vira a minha amante de uma vez. Eu reato o nosso casamento de fachada, te tranco na Eslovênia e te ofereço a minha proteção. Eu sofri tanto por sua causa, fui humilhado, agora eu preciso da minha recompensa.
O asco de sentir as mãos dele tocando a minha pele e tentando se esfregar contra o meu corpo me fez focar. No meio daquele desespero, olhei de relance para o céu. A lua continuava ali, brilhando. E olhar para ela me trouxe o rosto do Dominic na mesma hora.
A Sicília tinha me transformado em uma arma. Os comandos agressivos e calculados estalaram na minha memória como fogos de artifício. “Bata na cabeça. Use o osso mais duro da sua testa contra o nariz ou a têmpora dele. Desestabiliza.” A instrução gélida do Dominic acendeu na minha mente.
No microssegundo em que o Marcellos inclinou o tronco para a frente, tentando forçar a boca contra o meu pescoço de novo, eu puxei a minha cabeça totalmente para trás e desferi uma cabeçada brutal, reta e violenta bem no meio da testa e do nariz dele.
O impacto foi exato. Um estalo seco ecoou no pátio. Minha própria visão ficou tonta e desfocada pelo choque, uma dor aguda subindo pela minha testa, mas o Marcellos levou o pior. Ele soltou um gemido sufocado, jogando o tronco para trás enquanto o sangue começava a jorrar do nariz dele.
Não dei tempo para ele se recuperar. Usei a brecha do peso dele saindo de cima da minha barriga, flexionei o joelho com força e desferi uma joelhada violenta direto entre as pernas dele. Marcellos arqueou os ombros, o oxigênio sendo arrancado dos pulmões dele. Aproveitando que ele vacilou, empurrei a garganta dele com a palma da mão esquerda, usei a direita para travar o pulso dele e apliquei uma chave de braço ríspida, jogando o corpo dele para o lado no cascalho, exatamente como o Lorenzo tinha me ensinado nos treinos. Ele não sabia de nada de combate corporal, dependia apenas de tamanho.
Limpei o suor e as lágrimas da testa com as costas da mão, levantando-me do chão num salto, ajeitando a calça legging e a blusa rasgada com os dedos trêmulos de pura fúria e nojo. Dei dois passos para trás, olhando de cima para o gigante esloveno que agora gemia e se contorcia no chão úmido do pátio.
— Você nunca mais vai encostar a mão em mim. Nenhum outro homem neste mundo vai tocar em mim de novo — joguei as palavras na cara dele, a voz saindo cortante como uma lâmina de barbear. — Eu só pertenço ao Dominic Ferraro. Ele é o dono do meu corpo, da minha alma, da minha vontade e do meu coração. Ele já me marcou e o meu corpo é dele. Não existe espaço para mais ninguém dentro de mim. Eu pertenço a ele e ele me pertence. Você não pode me obrigar a porra nenhuma, Marcellos.

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